
ABPA eleva projeções para frango e suínos e mantém otimismo para 2027
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) revisou para cima as projeções para a produção e as exportações brasileiras de carne de frango e de carne suína em 2026, sustentada por um cenário de custos de produção estáveis, demanda internacional aquecida e dificuldades enfrentadas por concorrentes em importantes mercados produtores. As estimativas também apontam para novo crescimento em 2027, ainda que em ritmo mais moderado.
As novas projeções foram apresentadas nesta terça-feira (28), durante coletiva de imprensa. Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a combinação de um câmbio relativamente estável, oferta confortável de milho e farelo de soja e manutenção da sanidade dos plantéis brasileiros cria um ambiente favorável para o setor.
“Nós estamos confiantes de fechar um ano bastante positivo“, afirmou.
A avaliação da ABPA é de que os principais exportadores mundiais seguem enfrentando problemas sanitários e climáticos, o que mantém espaço para a proteína brasileira. A entidade destacou a continuidade dos surtos de influenza aviária em diversos países europeus e asiáticos, além da persistência da peste suína africana em importantes produtores. Entre janeiro e junho, 67 países notificaram casos de influenza aviária, enquanto 25 registraram focos de peste suína africana.
Segundo Santin, o Brasil permanece sem registros de influenza aviária em granjas comerciais e livre de peste suína africana, condição que reforça sua competitividade.
“A biosseguridade não é um ato, ela é um exercício“, afirmou.
Além da sanidade, o dirigente citou os impactos das ondas de calor, dos incêndios florestais e das dificuldades logísticas enfrentadas pela Europa, fatores que tendem a limitar a oferta de concorrentes ao longo do segundo semestre.
Mesmo diante das tensões geopolíticas envolvendo o Estreito de Ormuz, o Mar Vermelho e o estreito de Bab el-Mandeb, a ABPA considera que o setor conseguiu preservar praticamente todo o fluxo comercial com o Oriente Médio.
Segundo a entidade, as exportações para a região somaram 726 mil toneladas entre janeiro e junho deste ano, apenas 5% abaixo das 767 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.
Para Santin, o resultado demonstra a capacidade das empresas brasileiras de reorganizar rotas, utilizar portos alternativos e adaptar a logística para manter o abastecimento dos mercados da região.
Outro tema destacado na coletiva foi a exigência da União Europeia relacionada ao controle oficial sobre o uso de antimicrobianos. Santin afirmou que as empresas brasileiras continuarão operando da mesma forma que já faziam anteriormente, mantendo a segregação da produção destinada ao bloco europeu e sem utilizar promotores de crescimento ou antibióticos de importância para a medicina humana nos lotes exportados ao mercado europeu.
Segundo ele, a principal mudança é a implantação de uma camada adicional de fiscalização oficial pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), medida solicitada pelas autoridades europeias. O novo procedimento inclui verificações nas fábricas de ração e nas granjas, complementando os controles já realizados nos frigoríficos, e será avaliado por uma missão técnica da União Europeia prevista para o fim de agosto.
A ABPA afirma que o setor continuará cumprindo os mesmos requisitos sanitários exigidos pelo bloco e aguarda a conclusão da avaliação europeia para que o Brasil volte à lista de países autorizados a exportar carne de frango ao mercado europeu.
“O Brasil vai continuar a fazer o que sempre fez. Nós vamos cumprir o que a gente sempre cumpriu“, disse Santin.
Na avicultura de postura, a entidade reduziu a projeção de exportações para este ano, refletindo principalmente a normalização da produção norte-americana após os surtos de influenza aviária registrados em 2025.
Apesar disso, a produção nacional e o consumo interno de ovos devem continuar em expansão neste ano e também em 2027. Segundo Santin, o setor conseguiu compensar a perda do mercado norte-americano com a abertura eampliação de embarques para países como Chile, Japão e Emirados Árabes Unidos, consolidando um novo patamar para as exportações brasileiras.
Fonte: Jornal do Comércio

