Expointer abre os portões para a chegada dos primeiros animais

A 49ª Expointer abre para visitação do público no sábado (29) e se estende até 6 de setembro. Mas a rotina no parque  de exposições Assis Brasil, em Esteio, se intensifica a cada dia. Nesta segunda-feira, quem começou a passar pelos portões foram os animais, de 148 raças, que chegam de diferentes pontos do Rio Grande do Sul e até de outros estados.

Serão quase 8 mil exemplares. O aumento na participação de exemplares de argola (12%) e rústicos (36%) fortalece a imagem da mostra como  um dos principais palcos do agronegócio brasileiro para exposição e comercialização de genética de ponta, avalia o comissário geral da Expointer, Pablo Charão.

Nesta edição, mais uma vez, a Fazenda do Angico, de Tupanciretã, foi a primeira a desembarcar seus animais no parque. A ovelha Matarazzo 2114, de dois anos de idade e com uma cordeirinha de seis dias de vida ao pé, pisou no complexo da Expointer pouco depois das 8h, após uma longa jornada.

A proprietária e expositora, Ana Paula Martins, contou que o caminhão da propriedade pegou a estrada à meia-noite de sábado e chegou a Esteio às 7h de domingo. Foram 25 horas esperando em frente ao portão 8. Tudo pela oportunidade de ganhar destaque e visibilidade logo na chegada.

A Fazenda do Angico participa pela quarta vez da Expointer. A propriedade, que completa 100 anos em 2026, pertencia ao avô de Ana Paula, mas não se dedicava à pecuária. Quando o pai faleceu, em 2021, ela decidiu, ao lado do marido, Arthur Valladão, mudar o perfil da atividade e apostar na cabanha de ovinos

Outros dois exemplares texel vieram para a feira: o macho Do Angico MC Rinconada 22, de 11 meses, e o borrego Do Angico MC Rinconada 22, de 5 meses. A propriedade, que já conquistou títulos nas edições anteriores, volta em busca de novas premiações.

Após a entrada dos ovinos, exemplares de outras espécies e raças movimentaram o desembarcadouro do parque Assis Brasil. Destaque para os bovinos Hereford, que chegaram em grande número e já garantiram as primeiras imagens de ternura. Em meio ao estresse da movimentação, fêmeas amamentavam suas crias, que foram se acalmando aos poucos.

Apesar do crescimento geral no volume de animais na mostra, alguns grupos ficaram abaixo da presença no ano anterior. Para o presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Marcos Tang, a participação reflete o momento de cada segmento

A pecuária de corte está em alta, e o Brasil é um grande exportador de carne. Então, há uma boa procura por carne, um bom comércio interno e externo“.

O dirigente também destacou a participação de ovinos e bovinos de leite, segmentos que reduziram presença na mostra. “A redução de inscrições de bovinos de leite e ovinos deve-se a essa dificuldade que o Estado também atravessa. Cinco anos de clima difícil, de secas intercaladas com enchentes.

Tang observa que especialmente na atividade leiteira, há muitos custos extras, o que torna difícil, às vezes, a participação em feira, cujo investimento também também é alto.

Até a meia-noite de sexta-feira, 5.756 animais de elite deverão chegar a Esteio. E, durante os nove dias da mostra, irão dividir a atenção do público com outras atrações no parque Assis Brasil.

A feira, porém, terá outros componentes de peso. A crise econômica do setor e as discussões em torno da renegociação das dívidas dos produtores já têm reflexos no setor de máquinas e implementos agrícolas, que terá menos expositores nesta edição, de acordo com o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers). E, também por isso, a Federação da Agricultora do Estado (Farsul) já dá como certa a redução de área plantada em diferentes culturas na próxima safra de verão.

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