Safra gaúcha de soja supera 18 milhões de toneladas, a maior em cinco anos

A safra 2025/2026 de soja representou uma recuperação para o Rio Grande do Sul em relação ao ciclo anterior, marcado pela estiagem, mas manteve um padrão que vem se repetindo nos últimos anos: a alternância entre safras de recuperação e frustrações provocadas pelo clima.

Dados da Farsul Big Data mostram que a produção alcançou 18,3 milhões de toneladas, volume 34,6% superior ao colhido em 2024/2025 e o maior desde o período 2020/2021.

Ainda assim, a produtividade média estadual ficou em 2.742 quilos por hectare, 13,7% abaixo dos 3.180 quilos por hectare projetados antes do plantio, reflexo da distribuição irregular das chuvas ao longo do ciclo.

Para o presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, o comportamento climático foi determinante para reduzir o potencial produtivo da cultura, embora o Estado tenha encerrado uma das maiores safras de sua série histórica.

Ela se posicionou como uma safra dentro de um volume comparado a outras safras. Ficou entre as quatro ou cinco maiores em volume da nossa série histórica.”

Os dados da Farsul Big Data mostram que a produção gaúcha de soja ainda não recuperou a estabilidade observada no início da década. Depois da safra recorde de 20,4 milhões de toneladas em 2020/2021, o Estado alternou anos de forte quebra e de recuperação.

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Segundo Baldissera, praticamente todas as regiões produtoras foram afetadas pela irregularidade das precipitações, ainda que em intensidades diferentes. Enquanto algumas áreas registraram produtividades próximas ou até superiores às expectativas iniciais, outras sofreram perdas significativas, especialmente na Fronteira Oeste e em parte das regiões Central e Sul.

Essa variabilidade também foi observada pelos produtores. O presidente da Aprosoja-RS, Ireneu Orth, afirma que a distribuição das chuvas produziu cenários bastante distintos.

Dentro da mesma propriedade, dentro do mesmo município, existem regiões e pessoas que colheram extremamente bem. E ao lado ou próximo, outros agricultores tiveram colheitas muito ruins. Isso porque a chuva foi muito manchada.”

Na avaliação de Orth, a recuperação observada nesta safra não altera um cenário de sucessivas oscilações na produção gaúcha, que ainda limita a capacidade de investimento dos produtores e a competitividade do Estado.

Mais do que o balanço da safra, Baldissera avalia que o principal aprendizado do ciclo 2025/2026 está na necessidade de aumentar a resiliência das lavouras diante da maior frequência de eventos climáticos extremos.

O produtor fez o trabalho dele, mas tem que fazer ainda mais o trabalho dele, que são as questões de manejo de solo.”

Segundo ele, práticas capazes de melhorar a estrutura física do solo deverão ganhar protagonismo nas próximas temporadas.

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Percebo e acredito muito nesse momento que a agricultura, produção de grãos do Rio Grande do Sul, passa do debate para a estruturação dos solos.”

O presidente da Emater defende que medidas como a descompactação, o aumento da infiltração e da capacidade de armazenamento de água e o aprofundamento do sistema radicular das plantas deixem de ser tratadas apenas como recomendações técnicas e passem a integrar a estratégia econômica das propriedades, reduzindo perdas tanto em períodos de estiagem quanto de excesso de chuvas.

Baldissera também associa esse processo ao fortalecimento dos instrumentos de gestão de risco da atividade. Para ele, ampliar o acesso ao crédito rural e ao seguro agrícola é condição para que o produtor consiga manter investimentos diante da maior volatilidade climática.

A lavoura tem que ser segurada.”

Se o clima limitou parte do potencial produtivo da safra, o cenário de comercialização tornou-se mais favorável nas últimas semanas. Segundo o coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, Luiz Fernando Roque, os preços pagos ao produtor gaúcho giram atualmente em torno de R$ 134 por saca, acima da faixa de R$ 120 observada durante boa parte do primeiro semestre.

No segundo semestre a gente tem essa tendência de uma melhora no preço, de uma melhora nos prêmios, por conta da forte demanda.”

De acordo com o analista, a recuperação dos prêmios de exportação ocorre em um momento de demanda internacional aquecida, especialmente por parte da China, que segue liderando as compras da soja brasileira. A expectativa da consultoria é que o Brasil encerre o ano exportando entre 114 milhões e 115 milhões de toneladas, reduzindo a disponibilidade do grão no mercado interno e contribuindo para sustentar as cotações, mesmo em um cenário de dólar menos favorável.

Roque ressalta que o mercado continuará atento ao desenvolvimento da safra norte-americana nas próximas semanas, além do início do plantio da nova temporada brasileira, previsto para setembro. O comportamento do clima nos Estados Unidos e a evolução do El Niño na América do Sul deverão influenciar a formação dos preços e as perspectivas para a safra 2026/2027.

Fonte: Jornal do Comércio

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