Carne fica fora da sobretaxa dos EUA, mas 70% do agro gaúcho segue atingido
A exclusão da carne bovina da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras aliviou um segmento importante do agronegócio, mas não mudou o diagnóstico para o Rio Grande do Sul. Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) mostra que 70,4% das exportações gaúchas do agronegócio destinadas ao mercado norte-americano continuam sujeitas à sobretaxa, percentual mais que o dobro da média brasileira, de 32,7%.
A diferença está no perfil da pauta exportadora. Enquanto produtos de grande peso nas vendas brasileiras aos Estados Unidos, como carne bovina, café em grão e suco de laranja, foram incluídos na lista de exceções divulgada pelo governo norte-americano, o Rio Grande do Sul concentra suas exportações em cadeias que permaneceram atingidas pela medida, entre elas tabaco, madeira, sebo bovino e calçados de couro.
Segundo o assessor de Relações Internacionais da Farsul, Renan Hein dos Santos, essa composição explica por que o Estado foi proporcionalmente mais afetado que o restante do País. “A exposição gaúcha é maior porque a nossa pauta está concentrada em produtos que ficaram de fora das exceções”, afirma.
Na avaliação do economista, a ampliação da lista de produtos isentos reduziu parcialmente o alcance da medida, mas não alterou o cenário para o Estado. Conforme o levantamento da entidade, cerca de US$ 541 milhões das exportações do agronegócio gaúcho aos Estados Unidos continuam sujeitas à sobretaxa.
Os primeiros efeitos, segundo Santos, devem aparecer nas cadeias do tabaco e da madeira, que mantêm elevada participação do mercado norte-americano em suas exportações e têm menor capacidade de redirecionar rapidamente a produção para outros destinos. Na sequência, os impactos tendem a atingir também segmentos como sebo bovino e calçados.
Apesar disso, Santos avalia que a ampliação das exceções foi positiva ao preservar cadeias consideradas estratégicas para o abastecimento dos Estados Unidos.
“Os produtos que ficaram na lista de exceção são justamente aqueles em que o Brasil é insubstituível. Para esse volume de café, de suco de laranja e de carne bovina, os Estados Unidos não têm outros exportadores mundiais para suprir a demanda”, observa. Para o presidente executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen, a exclusão da proteína da nova tarifa preserva a competitividade brasileira justamente em um momento de incertezas no mercado chinês.
No acumulado do primeiro semestre, os Estados Unidos responderam por 16% do volume de carne bovina exportada pelo Rio Grande do Sul, enquanto a China concentrou 41% dos embarques. “A exclusão da carne bovina do tarifaço representa um alívio e uma possibilidade de aumento do volume exportado para os EUA”, afirma. Segundo Lauxen, a manutenção do acesso ao mercado americano pode contribuir para ampliar as vendas da proteína gaúcha, sobretudo diante das limitações impostas pelo sistema de cotas adotado pela China.
Fonte: Jornal do Comércio

