Custos e mercado levam setor de ovos do RS a avaliar redução da produção

Produtores e indústrias de ovos do Rio Grande do Sul avaliam desacelerar o ritmo de produção diante de um cenário de aumento dos custos, retração das exportações para os Estados Unidos e consumo considerado mais cauteloso. A avaliação foi feita pelo setor da indústria e produção de ovos da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs/Ovos RS), que se reuniu nesta semana para discutir as perspectivas do mercado.

Segundo o presidente executivo da entidade, José Eduardo dos Santos, a desaceleração não significa falta de produto no mercado, mas um ajuste de produção para preservar o equilíbrio financeiro das empresas.

Não vai faltar ovo no mercado. Simplesmente nós vamos diminuir, porque tivemos essa retração da exportação para os Estados Unidos, temos o aumento do custo de produção e um momento de instabilidade econômica, em que o consumidor usa a cautela em relação aos gastos“, afirmou.

De acordo com Santos, a interrupção antecipada das exportações para os Estados Unidos deixou parte da produção destinada ao mercado externo disponível internamente, ao mesmo tempo em que os custos de produção voltaram a subir, principalmente de embalagens plásticas, papelão e combustíveis, pressionados pela valorização do petróleo.

Nesse contexto, explicou, cada granja deverá reavaliar seu planejamento de produção de acordo com seus custos, sua situação financeira e a demanda atendida. A entidade não estima um percentual de desaceleração, justamente porque a decisão será individual.

Fica a critério de cada estabelecimento rever o seu planejamento de produção e adequar a esse momento de instabilidade que nós estamos passando“, disse.

A Asgav avalia que, caso esse cenário persista, os reflexos poderão ser sentidos gradualmente na oferta de ovos. Ainda assim, a entidade ressalta que não há expectativa de desabastecimento.

O cenário observado no Rio Grande do Sul, entretanto, não se repete no restante do País. Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que não identifica um movimento nacional de redução da produção de ovos.

Pelas projeções da entidade, a produção brasileira deverá atingir

  • 66,5 bilhões de unidades em 2026, alta de 6,8% em relação às 62,25 bilhões previstas para 2025.
  • O consumo per capita também deve crescer de 287 para 307 ovos por habitante, enquanto as exportações têm expectativa de avançar de 40,9 mil para até 45 mil toneladas.

A própria Asgav observa que as exportações gaúchas vêm se recuperando no primeiro semestre de 2026 na comparação com igual período do ano passado, quando o setor enfrentou restrições de diversos mercados após o registro de influenza aviária.

Fonte: Jornal do Comércio

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