Mercado europeu tem peso menor, mas amplia preocupação com imagem da carne brasileira
Apesar de a China concentrar o principal movimento do comércio externo de carne bovina do Brasil, a recente perda de acesso ao mercado europeu a partir de setembro é vista pelo setor mais pelo impacto indireto do que pelo volume efetivamente exportado. A avaliação de representantes da cadeia produtiva é de que o bloco europeu funciona como referência regulatória internacional, influenciando exigências de outros compradores.
O analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, observa que a União Europeia já teve maior relevância para as exportações brasileiras de carne bovina, mas hoje representa uma parcela reduzida do comércio externo.
“A União Europeia representa em torno de 3% das exportações brasileiras. Não é um grande comprador como já foi no passado, mas é um mercado vitrine“, afirma.
Segundo ele, embora o impacto direto sobre volumes seja limitado, o efeito sobre imagem e padrões de exigência tende a ser mais relevante. Isso ocorre porque decisões adotadas pelo bloco europeu costumam ser observadas e, em alguns casos, replicadas por outros importadores, especialmente em temas ligados a rastreabilidade, controle sanitário e uso de antimicrobianos.
Na mesma linha, o assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Renan Hein dos Santos, avalia que o principal impacto está relacionado à percepção do mercado internacional sobre os processos produtivos brasileiros.
“O dano maior é o dano reputacional“, afirma.
No recorte regional, os efeitos das mudanças no mercado europeu e da desaceleração das compras chinesas tendem a ser relativamente menores no Rio Grande do Sul em comparação ao cenário nacional. Dados da Farsul indicam que a China responde por 29% do valor e 24% do volume das exportações gaúchas de carne bovina, abaixo da média brasileira.
Mesmo assim, o setor reconhece que não há, no curto prazo, mercados capazes de substituir a China em escala equivalente. Destinos como Estados Unidos, México, Egito, Filipinas e Vietnã aparecem como alternativas para diversificação, mas ainda operam com limitações de acesso, tarifas ou capacidade de absorção.
Para eles, o cenário reforça a necessidade de ampliar a presença brasileira em diferentes mercados internacionais. Ainda assim, o entendimento predominante é de que a China continuará sendo o principal destino da carne bovina brasileira, mesmo diante de oscilações de curto prazo no fluxo de exportações.
Fonte: Jornal do Comércio

