BB estima R$ 22,9 bilhões com potencial de renegociação na Região Sul
O Banco do Brasil (BB) estima em R$ 22,9 bilhões o volume de sua carteira na região Sul com potencial de renegociação das dívidas rurais pela Medida Provisória (MP) 1.376, que criou novas condições para a composição de dívidas rurais. O levantamento identifica 40,2 mil clientes potencialmente alcançados nos três estados da região, mas os valores ainda dependem do enquadramento nas regras da medida e da política de crédito da instituição.
Os números constam da apresentação de resultados do segundo trimestre do BB. O banco não disponibilizou dados específicos do Rio Grande do Sul. No País, a estimativa chega a
- até R$ 100 bilhões em carteira
- 113 mil clientes com potencial para acessar o programa.
O montante não representa apenas operações em atraso. Dos R$ 100 bilhões identificados nacionalmente:
- R$ 36,7 bilhões correspondem a operações inadimplentes
- R$ 63,5 bilhões a créditos adimplentes que já foram prorrogados ou renegociados.
Por perfil:
- 65,2% da carteira potencial está na agricultura empresarial
- 30,5% no Pronamp
- 4,3% no Pronaf.
A operacionalização das linhas ganhou impulso nesta quinta-feira (13), com a publicação da Portaria nº 2.423 pelo Ministério da Fazenda. O ato autorizou a equalização dos juros pelo Tesouro Nacional e estabeleceu limites para as instituições financeiras operarem as linhas previstas na MP.
O início das contratações, porém, ocorre enquanto a medida ainda tramita no Congresso e pode sofrer alterações. Indicado pelo presidente da comissão mista, senador Renan Calheiros (MDB-AL), para ser relator da MP, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirma que pretende propor ajustes nos critérios de enquadramento e nas exigências de garantias, apontados por produtores e entidades como obstáculos ao acesso à renegociação.
Nesta semana, representantes do setor agropecuário discutiram essas dificuldades em reunião no Ministério da Fazenda. Segundo Pimenta, os problemas identificados na operacionalização deverão subsidiar mudanças no texto durante sua tramitação no Congresso.
A possibilidade de novos ajustes convive, no entanto, com a necessidade de os produtores definirem o financiamento da safra 2026/2027. O diretor de Desenvolvimento do Banrisul, Robson Oliveira Santos, afirma que parte dos agricultores ainda estaria aguardando novas definições ou medidas de apoio antes de encaminhar suas renegociações.
“Esse tema de renegociação vem se estendendo já há muito tempo e vem atrasando a dinâmica da safra”, afirma Santos. Na avaliação do banco, produtores que atendam às condições já estabelecidas devem procurar as instituições financeiras para verificar o enquadramento na MP ou buscar outras alternativas para regularizar as operações.
Santos afirma que ainda existe entre produtores a expectativa de que possam surgir condições mais favoráveis. “O pessoal ainda está achando que tem que esperar mais porque vai vir mais benesses, talvez, mais novas ajudas, mais novos apoios do governo”, diz.
A preocupação do banco é que a postergação da renegociação também retarde a capacidade de financiar o próximo ciclo produtivo. A regularização das dívidas pode permitir que o produtor volte a buscar crédito para custeio, embora a concessão de novos financiamentos continue sujeita à análise da instituição financeira.
Segundo Santos, na maioria dos casos o Banrisul tem conseguido manter os clientes na atividade e renovar o custeio. “Em alguns casos não vai mais ser possível ampliar crédito, sem dúvida, mas isso é a menor parte dos casos”, afirma.
O diretor explica que o banco já vem repondo o crédito de custeio da última safra à medida que essas operações são quitadas. Como parte dos financiamentos mais recentes não atende aos critérios da MP, o produtor pode liquidar o custeio anterior e contratar novo crédito para a compra de insumos e a implantação da próxima lavoura.
Fonte: Jornal do Comércio

