{"id":4876,"date":"2019-07-15T09:59:55","date_gmt":"2019-07-15T12:59:55","guid":{"rendered":"http:\/\/radiosul.net\/wp\/?p=4876"},"modified":"2019-07-15T09:59:58","modified_gmt":"2019-07-15T12:59:58","slug":"pr-onda-de-frio-espalha-prejuizos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiosul.net\/wp\/2019\/pr-onda-de-frio-espalha-prejuizos\/","title":{"rendered":"PR: onda de frio espalha preju\u00edzos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O frio mais intenso de 2019 acendeu o alerta em diversos setores da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria do Paran\u00e1. Foram pelo menos quatro dias (6, 7, 8 e 9 de julho) com registros de geadas pelo Estado, com mais intensidade nas regi\u00f5es Sul, Sudoeste, Oeste, Centro-Sul, Sudeste, Campos Gerais e Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba. Os dias de paisagens congelantes agora cobram seu pre\u00e7o, principalmente com preju\u00edzos em planta\u00e7\u00f5es de trigo, erva-mate, caf\u00e9, hortifr\u00fatis, feij\u00e3o e pastagens. Embora j\u00e1 se saiba que as perdas s\u00e3o inevit\u00e1veis, apenas nas pr\u00f3ximas semanas se ter\u00e1 a real no\u00e7\u00e3o do tamanho do rombo nas contas dos produtores rurais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 agora, um dos cultivos, nos quais mais se projetam perdas \u00e9 o trigo, em especial as lavouras que est\u00e3o na fase de florescimento ou enchimento de gr\u00e3os (cacho), mais concentradas em uma faixa que abrange Oeste, Sudoeste e Centro Oeste. \u201cO frio \u00e9 ben\u00e9fico nas fases iniciais do desenvolvimento do trigo, inclusive com geadas. Mas as geadas tardias, nas fases de flora\u00e7\u00e3o e de enchimento de gr\u00e3os, por exemplo, causam preju\u00edzos\u201d, explica a engenheira agr\u00f4noma Flaviane Medeiros, do SENAR-PR. O Paran\u00e1 dedica, nesta temporada, mais de 1 milh\u00e3o de hectares ao cereal, conforme estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paran\u00e1 (Seab).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O produtor Marcos Antonio Esquicato, de Ivaipor\u00e3, plantou cerca de 170 hectares de trigo. Segundo o agricultor, a geada deve causar perdas entre 80% e 90% nas suas lavouras. \u201cFazia tempo que n\u00e3o geava forte dessa maneira. Vemos v\u00e1rias pessoas acionando seguro agr\u00edcola e Proagro. A ag\u00eancia do banco estava lotada. Estamos conversando com os agr\u00f4nomos e achamos que as perdas no munic\u00edpio devem ficar em torno de 60% a 80%. Isso porque tem trigo que foi plantado mais tarde, que est\u00e1 em est\u00e1gios mais iniciais e escapou\u201d, conta Esquicato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regional de Cascavel, l\u00edder na \u00e1rea dedicada ao cereal no ciclo atual, enfrentou temperaturas pr\u00f3ximas aos -4\u00baC, no s\u00e1bado, dia 6 de julho, de acordo com o Sistema Meteorol\u00f3gico do Paran\u00e1 (Simepar). Al\u00e9m disso, os produtores locais foram alguns dos que semearam suas lavouras de modo mais precoce. \u201cO pessoal que teve perdas com a soja por conta do clima na safra de ver\u00e3o, plantou o trigo mais cedo, em abril. Esses estavam com as lavouras de trigo em florescimento ou com cachos j\u00e1. Alguns produtores vieram ao sindicato e relataram problemas at\u00e9 de perdas totais em algumas \u00e1reas\u201d, conta Paulo Valini, diretor do sindicato rural do munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 v\u00e1rios relatos de produtores do munic\u00edpio S\u00e3o Jo\u00e3o, no Sudoeste do Paran\u00e1, que tiveram lavouras afetadas de forma significativa. \u201cJ\u00e1 havia muitos anos que n\u00e3o via um frio com essa intensidade. A geada foi forte nas baixadas e pegou at\u00e9 as regi\u00f5es altas, nas quais \u00e9 muito dif\u00edcil gear. N\u00e3o temos um n\u00famero fechado, mas o que se percebe hoje pelas conversas com t\u00e9cnicos na regi\u00e3o \u00e9 que vamos ter de 40% a 50% de perdas sobre o total plantado no munic\u00edpio\u201d, revela Arceny Bocalon, presidente do Sindicato Rural de S\u00e3o Jo\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Panorama estadual<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O engenheiro agr\u00f4nomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, revela que \u00e9 preciso aguardar algumas semanas para se ter a real no\u00e7\u00e3o do volume de perdas no Estado. \u201cTemos informa\u00e7\u00f5es que nos levam a crer que v\u00e1rias lavouras v\u00e3o pontualmente apresentar perda total. Em uma faixa que vai de Ivaipor\u00e3 at\u00e9 Campo Mour\u00e3o e se estende por todo o Centro Oeste, Oeste e Sudoeste, tivemos emperaturas negativas. E quanto mais para o Oeste, mais problem\u00e1tico, pois \u00e9 onde eventualmente se planta mais cedo\u201d, avalia. Um relat\u00f3rio do \u00f3rg\u00e3o estadual deve ser divulgado at\u00e9 o fim de julho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presidente da Comiss\u00e3o T\u00e9cnica de Cereais, Fibras e Oleaginosas da FAEP, Nelson Paludo, ratifica que as perdas s\u00e3o certas, mas que \u00e9 preciso aguardar ao menos duas semanas para se ter<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">uma ideia mais precisa. \u201cA geada foi realmente muito forte e vai causar estragos significativos ao trigo, principalmente na nossa regi\u00e3o [Toledo], que adiantou o plantio por conta dos problemas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">com a soja na safra de ver\u00e3o. O milho safrinha j\u00e1 estava praticamente todo colhido, ent\u00e3o n\u00e3o teremos problemas [no caso desta cultura] \u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Outras culturas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das perdas no trigo, relatos de preju\u00edzos s\u00e3o constatados em diversas culturas, como hortifr\u00fatis e erva-mate. Pastagens foram bastante afetadas, o que vai trazer reflexos tanto para a bovinocultura de corte quando \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de leite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Narciso Pissinatti, produtor rural de Londrina, o Norte deve registrar problemas com o caf\u00e9. Em planta\u00e7\u00f5es pontuais, segundo o l\u00edder sindical, houve a forma\u00e7\u00e3o de geada. \u201cN\u00e3o foi uma coisa generalizada, mas temos relatos de algumas lavouras com preju\u00edzo. Temos que esperar de 10 a 15 dias para ter uma no\u00e7\u00e3o exata\u201d, previu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 lavouras de feij\u00e3o da terceira safra que podem sofrer com danos, o que pode ter impacto nos pre\u00e7os at\u00e9 o fim do ano. No Paran\u00e1 s\u00e3o apenas 2 mil hectares, nas regi\u00f5es Norte Pioneiro, Norte e Noroeste. Mas a geada atingiu algumas \u00e1reas importantes de produ\u00e7\u00e3o, nos Estados de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, no Sudeste brasileiro, segundo Marcelo L\u00fcders, presidente do Instituto Brasileiro de Feij\u00e3o e Pulses (Ibrafe). \u201cO feij\u00e3o carioca pode subir forte. Em todos os grupos recebemos imagens de lavouras perdidas com a geada\u201d, revelou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mais frio pela frente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O meteorologista Luiz Renato Lazinski alerta que apesar de o frio intenso ter demorado a chegar no Estado, a partir de agora as passagens de massas de ar frio devem ter uma certa regularidade. \u201cTivemos essa massa de ar frio extremamente forte no in\u00edcio de julho. Vamos ter um inverno com intensidade\u201d, prev\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lazinski explica que, apesar de ter se propagado que estamos sob efeito de um El Ni\u00f1o, o tempo est\u00e1 mais condizentes com um ano de neutralidade. \u201cEm anos de El Ni\u00f1o, o tempo fica mais chuvoso, as massas de ar n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o intensas. O que n\u00f3s estamos observando, de fato, \u00e9 um ano em uma situa\u00e7\u00e3o que chamamos de neutralidade. Tanto \u00e9 que n\u00f3s tivemos um m\u00eas de junho praticamente sem chuva e um m\u00eas de maio extremamente chuvoso. Isso \u00e9 t\u00edpico de um ano neutro\u201d, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o meteorologista, os produtores precisam se preparar para outras ondas de frio, que t\u00eam potencial inclusive para trazer geadas mais tardias do que a m\u00e9dia. \u201cOs modelos de previs\u00e3o clim\u00e1tica de mais longo prazo continuam com essa tend\u00eancia de clima neutro pelo menos at\u00e9 o fim do inverno. At\u00e9 o fim de setembro temos chance de ter essas massas de ar fortes chegando no Paran\u00e1 e com potencial de geada. Principalmente nas \u00e1reas mais altas do Estado\u201d, alerta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte: CNA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foto:  Faep <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O frio mais intenso de 2019 acendeu o alerta em diversos setores da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria do Paran\u00e1. Foram pelo menos quatro dias (6, 7, 8 e 9 de julho) com registros de geadas pelo Estado, com mais intensidade nas regi\u00f5es Sul, Sudoeste, Oeste, Centro-Sul, Sudeste, Campos Gerais e Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba. 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