{"id":33501,"date":"2026-04-16T07:01:00","date_gmt":"2026-04-16T10:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/radiosul.net\/wp\/?p=33501"},"modified":"2026-04-16T06:22:52","modified_gmt":"2026-04-16T09:22:52","slug":"guerra-encarece-fertilizantes-e-amplia-pressao-sobre-o-agro-gaucho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiosul.net\/wp\/2026\/guerra-encarece-fertilizantes-e-amplia-pressao-sobre-o-agro-gaucho\/","title":{"rendered":"Guerra encarece fertilizantes e amplia press\u00e3o sobre o agro ga\u00facho"},"content":{"rendered":"\n<p>A escalada do conflito no Oriente M\u00e9dio e seus efeitos sobre o<strong> mercado global de fertilizantes<\/strong> ampliam a press\u00e3o sobre o agroneg\u00f3cio brasileiro e exp\u00f5em uma<strong> fragilidade estrutural<\/strong>: a forte depend\u00eancia de importa\u00e7\u00f5es. No Rio Grande do Sul, onde a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e9 intensiva e altamente tecnificada, o cen\u00e1rio combina aumento de custos, incerteza sobre o abastecimento e necessidade de ajustes no campo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 o <strong>quarto maior consumidor<\/strong> mundial de fertilizantes, mas responde por apenas cerca de <strong>2% da produ\u00e7\u00e3o global<\/strong>. A depend\u00eancia externa, estimada <strong>entre 85% e 90%<\/strong> do consumo, torna o Pa\u00eds especialmente sens\u00edvel a crises internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o assessor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Renan Hein dos Santos, o grau de exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 circunstancial, mas estrutural.&nbsp;\u201c<strong>A gente depende fortemente de fertilizantes do exterior<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ele destaca que o consumo cresceu de forma acelerada nas \u00faltimas d\u00e9cadas, enquanto a produ\u00e7\u00e3o nacional permaneceu praticamente estagnada.&nbsp;\u201c<strong>As importa\u00e7\u00f5es saltaram de aproximadamente 7,4 milh\u00f5es de toneladas em 1998 para quase 39 milh\u00f5es em 2022, enquanto a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica ficou na faixa de 7 milh\u00f5es<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o Brasil tenha produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas para fertilizantes, ela \u00e9 concentrada em regi\u00f5es como <strong>Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e Goi\u00e1s<\/strong> e tende a ser <strong>consumida localmente<\/strong>, o que limita o abastecimento de outras \u00e1reas. No<strong> Rio Grande do Sul<\/strong>, por exemplo, a <strong>depend\u00eancia externa \u00e9 total no caso do f\u00f3sforo<\/strong>. H\u00e1 iniciativas para ampliar a produ\u00e7\u00e3o no Estado, com identifica\u00e7\u00e3o de <strong>novos dep\u00f3sitos minerais<\/strong>, mas ainda em <strong>escala insuficiente<\/strong> diante da demanda \u2014 lacuna que projetos em desenvolvimento no Estado tentam come\u00e7ar a preencher.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia para 2026 \u00e9 de recuo na demanda por fertilizantes no Brasil. Estimativa do RaboResearch \u2013 divis\u00e3o de estudos e an\u00e1lise econ\u00f4mica do banco holand\u00eas Rabobank, com forte atua\u00e7\u00e3o global no agroneg\u00f3cio \u2013 aponta consumo de <strong>47,2 milh\u00f5es de toneladas<\/strong>, cerca de <strong>2 milh\u00f5es a menos<\/strong> que as 49,1 milh\u00f5es registradas no ano passado. O dado integra o <strong>Semiannual Fertilizer Outlook<\/strong> (Panorama Semestral de Fertilizantes), divulgado&nbsp;neste m\u00eas&nbsp;pelo RaboResearch.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o analista s\u00eanior de insumos agr\u00edcolas do RaboResearch, Bruno Fonseca, a retra\u00e7\u00e3o j\u00e1 era esperada diante do quadro financeiro dos produtores.&nbsp;\u201c<strong>O produtor est\u00e1 com uma alavancagem muito alta, margem super apertada, endividamento crescente. Ent\u00e3o, ele vai tender a usar um pouco menos de fertilizante<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra intensifica esse movimento ao elevar os pre\u00e7os dos insumos em ritmo superior ao das commodities agr\u00edcolas.&nbsp;Entre janeiro e mar\u00e7o, os pre\u00e7os da <strong>ureia subiram 76%<\/strong>, pressionando diretamente os custos de produ\u00e7\u00e3o.&nbsp;\u201c<strong>Por si s\u00f3, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica j\u00e1 indicaria uma redu\u00e7\u00e3o. Com esse problema da guerra, fazendo com que os pre\u00e7os subam muito, a gente pode ter essa queda no consumo<\/strong>\u201d, afirma Fonseca.<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio internacional, o mercado enfrenta um choque relevante de oferta. O <strong>bloqueio log\u00edstico na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio<\/strong> j\u00e1 retirou cerca de<strong> 800 mil toneladas mensais de fertilizantes<\/strong> do mercado global.&nbsp;Pela regi\u00e3o passam aproximadamente<strong> 30% das exporta\u00e7\u00f5es mundiais de ureia, 27% de am\u00f4nia e 24% de fosfatos<\/strong>. A interrup\u00e7\u00e3o reduz a capacidade de reposi\u00e7\u00e3o por outros fornecedores e intensifica a concorr\u00eancia entre pa\u00edses importadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a <strong>participa\u00e7\u00e3o do Oriente M\u00e9dio<\/strong> nas importa\u00e7\u00f5es brasileiras tenha diminu\u00eddo \u2014 <strong>hoje em torno de 12%<\/strong> \u2014, a depend\u00eancia ainda \u00e9 significativa em produtos espec\u00edficos. No caso da ureia, 36% das compras vieram da regi\u00e3o em 2025.&nbsp;O momento \u00e9 especialmente sens\u00edvel porque cerca de <strong>70% da ureia importada pelo Brasil<\/strong> chega entre maio e dezembro, per\u00edodo <strong>estrat\u00e9gico para o planejamento das safras<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O encarecimento dos fertilizantes afeta de forma desigual as culturas agr\u00edcolas. Os <strong>nitrogenados, mais impactados pela crise<\/strong>, pesam especialmente sobre gr\u00e3os importantes no Rio Grande do Sul.<br>\u201c<strong>Culturas como trigo, milho e arroz demandam bastante nitrog\u00eanio, que \u00e9 justamente o fertilizante mais impactado<\/strong>\u201d, afirma Fonseca.<\/p>\n\n\n\n<p>A soja tende a sofrer menos, j\u00e1 que <strong>n\u00e3o depende de aduba\u00e7\u00e3o nitrogenad<\/strong>a, embora tamb\u00e9m seja afetada pela <strong>alta de outros nutrientes, como o f\u00f3sforo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da press\u00e3o de custos, o <strong>impacto imediato sobre a produ\u00e7\u00e3o de alimentos ainda n\u00e3o \u00e9 esperado<\/strong>, conforme o analista do RaboResearch.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos pre\u00e7os elevados, a <strong>disponibilidade de fertilizantes come\u00e7a a preocupar<\/strong>. Para o gerente de Projetos da Aguia Fertilizantes, Diego Boeira, o mercado j\u00e1 apresenta sinais de escassez.&nbsp;\u201c<strong>O pre\u00e7o j\u00e1 se tornou secund\u00e1rio. N\u00e3o tem produto<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, levantamentos recentes indicam <strong>aus\u00eancia de fertilizantes fosfatados<\/strong> no Estado.<br>\u201c<strong>No Rio Grande do Sul n\u00e3o tinha fosfato supersimples dispon\u00edvel e nem pre\u00e7o. N\u00e3o existia tabela<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia, segundo Boeira, \u00e9 de impacto direto no manejo das lavouras, com <strong>uso abaixo do recomendado<\/strong>. Isso pode resultar em <strong>perda de produtividade e efeitos ao longo da cadeia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Produ\u00e7\u00e3o local ainda \u00e9 limitada<\/h2>\n\n\n\n<p>Paralelamente, <strong>projetos de produ\u00e7\u00e3o no Estado come\u00e7am a avan\u00e7ar<\/strong>, mas ainda em escala reduzida frente \u00e0 demanda. A Aguia Fertilizantes deve iniciar opera\u00e7\u00f5es em maio, com produ\u00e7\u00e3o inicial de 70 mil toneladas de fosfatados.&nbsp;\u201c<strong>Isso \u00e9 praticamente nada para o mercado do Rio Grande do Sul<\/strong>\u201d, afirma Boeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Em opera\u00e7\u00e3o plena, a capacidade pode chegar a cerca de <strong>400 mil toneladas por ano<\/strong>, o equivalente a aproximadamente<strong> 10% da demanda estadual<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, a redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia externa exige tempo e investimentos.&nbsp;\u201c<strong>Para tirar um projeto do papel e chegar ao produtor, a gente fala em cinco a seis anos<\/strong>\u201d, diz Boeira. Ele defende um olhar do Poder P\u00fablico em apoio, com linhas de cr\u00e9dito espec\u00edficas para a implanta\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Farsul, o cen\u00e1rio internacional refor\u00e7a a vulnerabilidade brasileira.&nbsp;\u201c<strong>China e R\u00fassia s\u00e3o os principais fornecedores desses insumos ao Brasil. E, percebendo potencial crise global, o gigante asi\u00e1tico restringiu exporta\u00e7\u00f5es para garantir o mercado interno, e a R\u00fassia tamb\u00e9m j\u00e1 adotou suspens\u00f5es que ainda precisamos verificar at\u00e9 quando ir\u00e3o durar<\/strong>\u201d, afirma Renan Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, o hist\u00f3rico recente j\u00e1 mostrou os efeitos desse contexto. No conflito entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia n\u00e3o houve desabastecimento, mas<strong> pre\u00e7os muito elevados<\/strong> que <strong>afetaram os custos de produ\u00e7\u00e3o<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do cen\u00e1rio, produtores tendem a adotar estrat\u00e9gias mais conservadoras, com redu\u00e7\u00e3o de uso de insumos, revis\u00e3o de \u00e1rea plantada e maior seletividade nos investimentos.&nbsp;\u201c<strong>Talvez valha a pena focar em semear uma \u00e1rea menor, especialmente excluindo aquelas marginais, e conseguir tirar uma produ\u00e7\u00e3o melhor no espa\u00e7o cultivado<\/strong>\u201d, afirma Fonseca.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que merece aten\u00e7\u00e3o, conforme o especialista, \u00e9 o quadro agravado no Rio Grande do Sul por sucessivas perdas clim\u00e1ticas e pela perspectiva de novo epis\u00f3dio de El Ni\u00f1o.&nbsp;\u201c<strong>O produtor do Rio Grande do Sul tem que ter uma cautela ainda maior do que nas outras regi\u00f5es<\/strong>\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um ambiente de oferta restrita, pre\u00e7os elevados e incerteza geopol\u00edtica, o desafio passa a ser <strong>equilibrar produtividade e custo<\/strong> em um setor cada vez mais <strong>exposto a fatores externos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: Jornal do Com\u00e9rcio<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escalada do conflito no Oriente M\u00e9dio e seus efeitos sobre o mercado global de fertilizantes ampliam a press\u00e3o sobre o agroneg\u00f3cio brasileiro e exp\u00f5em uma fragilidade estrutural: a forte depend\u00eancia de importa\u00e7\u00f5es. 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