{"id":32800,"date":"2026-02-18T17:52:00","date_gmt":"2026-02-18T20:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/radiosul.net\/wp\/?p=32800"},"modified":"2026-02-18T18:33:04","modified_gmt":"2026-02-18T21:33:04","slug":"novo-periodo-de-estiagem-reduz-potencial-da-safra-gaucha-de-graos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiosul.net\/wp\/2026\/novo-periodo-de-estiagem-reduz-potencial-da-safra-gaucha-de-graos\/","title":{"rendered":"Novo per\u00edodo de estiagem reduz potencial da safra ga\u00facha de gr\u00e3os"},"content":{"rendered":"\n<p>A <strong>estiagem<\/strong> que atinge grande parte do Rio Grande do Sul nas \u00faltimas semanas j\u00e1 <strong>compromete o potencial produtivo das lavouras<\/strong>, especialmente em regi\u00f5es onde o d\u00e9ficit h\u00eddrico coincidiu com fases decisivas do desenvolvimento das plantas. Na <strong>soja<\/strong>, a colheita projetada em mais de 21 milh\u00f5es de toneladas pela Emater-RS\/Ascar e superior a 22 milh\u00f5es de toneladas pela Conab pode n\u00e3o dever\u00e1 passar de <strong>18 milh\u00f5es<\/strong>, ainda dependendo do clima.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e9cnicos e produtores relatam perdas consolidadas em parte das \u00e1reas. De acordo com o diretor t\u00e9cnico da Emater-RS\/Ascar, Claudinei Baldissera, o per\u00edodo que antecedeu as chuvas registradas no \u00faltimo fim de semana foi marcado por <strong>precipita\u00e7\u00f5es muito abaixo da m\u00e9dia e temperaturas elevadas<\/strong> em praticamente todo o Estado. A combina\u00e7\u00e3o de calor acentuado, baixa umidade relativa do ar e alta demanda evaporativa criou um <strong>ambiente desfavor\u00e1vel \u00e0s culturas de ver\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, o impacto foi mais sens\u00edvel na soja, justamente porque a maior parte das \u00e1reas se encontra em fase reprodutiva. \u201c<strong>Praticamente 80% dos 6,74 milh\u00f5es de hectares cultivados no Rio Grande do Sul est\u00e3o na fase reprodutiva<\/strong>\u201d, afirmou. Esse est\u00e1gio compreende flora\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o de vagens e enchimento de gr\u00e3os, etapas que exigem disponibilidade h\u00eddrica constante.<\/p>\n\n\n\n<p>Baldissera relata que o estresse h\u00eddrico provocou sintomas como murchamento, abortamento de flores, perda de vagens, redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea foliar e queda de folhas. \u201c<strong>Esse conjunto de fatores provocou uma onda de estresse h\u00eddrico na cultura da soja bastante consistente<\/strong>\u201d, disse. Embora ainda n\u00e3o arrisque mensurar com precis\u00e3o o tamanho das perdas, ele reconhece que parte do potencial produtivo j\u00e1 foi comprometido de forma irrevers\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio, conforme a Emater, \u00e9 heterog\u00eaneo. H\u00e1 munic\u00edpios com volumes razo\u00e1veis de chuva e lavouras preservadas, enquanto \u00e1reas vizinhas registram perdas significativas. O resultado \u00e9 um<strong> mosaico produtivo<\/strong>, que dificulta estimativas uniformes.<\/p>\n\n\n\n<p>No setor privado, a percep\u00e7\u00e3o reflete essa irregularidade. Presidente da Aprosoja\/RS, Ireneu Orth projeta que a safra dever\u00e1 mesmo ficar <strong>entre 17 milh\u00f5es e 18 milh\u00f5es de toneladas<\/strong> e pondera que ser\u00e1 necess\u00e1rio&nbsp;chover para alcan\u00e7ar esses n\u00fameros. \u201c<strong>N\u00f3s ainda precisamos de chuva at\u00e9 final de mar\u00e7o. Se n\u00e3o chover \u2013 e a perspectiva \u00e9 pouca chuva daqui para frente \u2013, esse n\u00famero ainda pode cair<\/strong>\u201d, alertou.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, o Rio Grande do Sul colheu <strong>13,6 milh\u00f5es de toneladas<\/strong>. Em safras favor\u00e1veis, a produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 se aproximou de 21 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Orth, que recebe cerca de 500 mensagens de Whatsapp de produtores de todo o Estado diariamente com relatos sobre a situa\u00e7\u00e3o nas diferentes regi\u00f5es, ressalta que o impacto n\u00e3o ser\u00e1 homog\u00eaneo. \u201c<strong>A safra pode ser maravilhosa para alguns e desastrosa para outros<\/strong>\u201d, disse, ao refor\u00e7ar que a distribui\u00e7\u00e3o irregular das chuvas resultou em lavouras com desempenhos muito distintos dentro da mesma regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Da janela do escrit\u00f3rio, ele enxerga a lavoura bem formada na \u00e1rea que arrenda a terceiro em Tapera, no norte ga\u00facho. Cerca de 15 quil\u00f4metros dali, na vizinha Victor Gr\u00f6eff, h\u00e1 planta\u00e7\u00f5es em que sequer valer\u00e1 a pena colher, com plantas queimadas e gr\u00e3os murchos. O cen\u00e1rio de apreens\u00e3o se repete nas regi\u00f5es Noroeste, Central e Fronteira Oeste, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>O reflexo da estiagem no campo \u00e9 descrito pelo produtor Eliseu Busse, de Bossoroca, nas Miss\u00f5es. Na propriedade de 440 hectares dedicados \u00e0 soja, ele enfrentou<strong> 40 dias sem chuva<\/strong> at\u00e9 o in\u00edcio da semana. Embora tenha registrado <strong>40 mil\u00edmetros na segunda-feira (16)<\/strong>, afirma que a <strong>precipita\u00e7\u00e3o foi insuficiente para reverter o quadro<\/strong>. \u201cA perda \u00e9 muito grande\u201d, resumiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Busse <strong>esperava colher cerca de 3,6 mil quilos por hectare<\/strong>, acima da m\u00e9dia geral anteriormente projetada para o RS, de 3,2 mil quilos. <strong>Agora, a proje\u00e7\u00e3o gira em torno de 1,8 mil quilos<\/strong>, caso haja continuidade das chuvas. \u201c<strong>Tem que torcer pra colher a outra metade<\/strong>\u201d, afirmou, ao estimar perdas superiores a 50%. Segundo ele, h\u00e1 lavouras em situa\u00e7\u00e3o ainda mais cr\u00edtica na regi\u00e3o, onde volumes recentes de precipita\u00e7\u00e3o ficaram entre 5 e 15 mil\u00edmetros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Endividamento limita avan\u00e7o da irriga\u00e7\u00e3o no RS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do impacto produtivo, a estiagem pressiona a situa\u00e7\u00e3o financeira dos agricultores, que acumulam frustra\u00e7\u00f5es recentes. O n\u00edvel de <strong>endividamento limita investimentos em alternativas como a irriga\u00e7\u00e3o<\/strong>. Ireneu Orth, que acompanhou a miss\u00e3o do governo ga\u00facho ao estado americano de Nebraska no ano passado, para conhecer ferramentas de manejo de \u00e1gua para produ\u00e7\u00e3o de alimentos, reconhece que o sistema pode elevar a estabilidade produtiva, mas exige infraestrutura, disponibilidade de \u00e1gua e capital. \u201c<strong>Tecnologia, capacidade humana, n\u00f3s temos. O que n\u00e3o tem \u00e9 o dinheiro e a condi\u00e7\u00e3o financeira de fazer tudo isso<\/strong>\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a estimativa \u00e9 de que apenas <strong>entre 7% e 8% das \u00e1reas de sequeiro no Estado contem com irriga\u00e7\u00e3o<\/strong>. Para ampliar esse percentual, representantes do setor defendem <strong>alongamento das d\u00edvidas e condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito mais compat\u00edveis com a realidade da agricultura ga\u00facha<\/strong>. Esses temas, promete o dirigente, estar\u00e3o na pauta da Expodireto Cotrijal, que acontece de 9 a 13 de mar\u00e7o, em N\u00e3o-Me-Toque.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o desempenho da safra seguir\u00e1 atrelado ao regime de chuvas das pr\u00f3ximas semanas. Em um cen\u00e1rio marcado por contrastes regionais e incerteza clim\u00e1tica, o resultado final depender\u00e1 da regularidade das precipita\u00e7\u00f5es at\u00e9 o fim do ciclo das culturas de ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: Jornal do Com\u00e9rcio<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estiagem que atinge grande parte do Rio Grande do Sul nas \u00faltimas semanas j\u00e1 compromete o potencial produtivo das lavouras, especialmente em regi\u00f5es onde o d\u00e9ficit h\u00eddrico coincidiu com fases decisivas do desenvolvimento das plantas. 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