{"id":32144,"date":"2025-10-07T19:08:31","date_gmt":"2025-10-07T22:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/radiosul.net\/wp\/?p=32144"},"modified":"2025-11-05T19:12:03","modified_gmt":"2025-11-05T22:12:03","slug":"rs-inicia-semeadura-de-soja-com-precos-pressionados-e-olho-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiosul.net\/wp\/2025\/rs-inicia-semeadura-de-soja-com-precos-pressionados-e-olho-na-china\/","title":{"rendered":"RS inicia semeadura de soja com pre\u00e7os pressionados e olho na China"},"content":{"rendered":"\n<p>O in\u00edcio oficial do plantio da soja no Rio Grande do Sul, aberto na semana passada em J\u00falio de Castilhos, marca o ponto de partida de uma <strong>safra cercada por expectativa e cautela<\/strong>. A cerim\u00f4nia, acompanhada por autoridades estaduais e lideran\u00e7as do setor, ocorre num momento em que o Estado projeta forte recupera\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que o <strong>cen\u00e1rio global da oleaginosa passa por uma reconfigura\u00e7\u00e3o<\/strong>, com a <strong>China reduzindo drasticamente as compras dos Estados Unidos<\/strong> e ampliando espa\u00e7o para o gr\u00e3o brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A proje\u00e7\u00e3o da Emater\/RS-Ascar indica que a <strong>safra 2025\/26 pode alcan\u00e7ar 21,4 milh\u00f5es de toneladas<\/strong> de soja, volume <strong>57% superior ao do ciclo anterior<\/strong>, marcado por quebras de produtividade e preju\u00edzos generalizados. A \u00e1rea cultivada, estimada em 6,74 milh\u00f5es de hectares, deve permanecer praticamente est\u00e1vel. A diferen\u00e7a, desta vez, depender\u00e1 do comportamento do clima \u2014 especialmente ap\u00f3s dois anos de eventos extremos alternando estiagem e excesso de chuvas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o coordenador de Intelig\u00eancia de Mercado da consultoria Hedgepoint, Luiz Fernando Roque, a perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o da safra ga\u00facha se soma a um <strong>contexto internacional favor\u00e1vel ao Brasil<\/strong>, que hoje <strong>responde por mais de 70% da soja comprada pela China<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>A paralisa\u00e7\u00e3o quase completa das aquisi\u00e7\u00f5es chinesas de soja americana entre junho e agosto redesenha o fluxo global. Isso abre espa\u00e7o adicional para o Brasil, inclusive para o Rio Grande do Sul, consolidar seu papel no fornecimento mundial<\/strong>\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele lembra, por\u00e9m, que o aumento da oferta global tende a <strong>limitar ganhos de pre\u00e7o<\/strong> no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Levantamento da American Farm Bureau Federation, maior organiza\u00e7\u00e3o de produtores rurais dos Estados Unidos, aponta que as <strong>compras chinesas de soja dos EUA ca\u00edram de 26,5 milh\u00f5es de toneladas em 2024 para apenas 5,8 milh\u00f5es neste ano<\/strong>. No mesmo per\u00edodo, o <strong>Brasil exportou mais de 77 milh\u00f5es de toneladas \u00e0 China<\/strong>. O movimento pressiona produtores norte-americanos e refor\u00e7a a depend\u00eancia do mercado chin\u00eas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do analista de soja Rafael Silveira, da Safras &amp; Mercado, essa <strong>nova configura\u00e7\u00e3o garante demanda, mas tamb\u00e9m exige aten\u00e7\u00e3o<\/strong> do produtor brasileiro. \u201c<strong>Com os Estados Unidos tentando reconquistar espa\u00e7o e a Argentina retomando competitividade, o ritmo de vendas e o c\u00e2mbio passam a ser determinantes<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo, os <strong>produtores ga\u00fachos iniciam o ciclo ainda sob impacto financeiro das perdas acumuladas nas \u00faltimas safras<\/strong>. Produtor nos munic\u00edpios de J\u00falio de Castilhos e Tupanciret\u00e3, Rodrigo Siqueira&nbsp; considera que a safra 2025\/2026 ser\u00e1 fundamental para recuperar perdas dos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>\u00c9 a esperan\u00e7a de colocar as coisas no lugar. A situa\u00e7\u00e3o (financeira) est\u00e1 muito s\u00e9ria. O endividamento \u00e9 alto e o acesso a novos cr\u00e9ditos cada vez mais dif\u00edcil para o produtor que n\u00e3o conseguiu cumprir com a safra passada<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele, entretanto, planeja iniciar o cultivo em suas terras na pr\u00f3xima semana. E vai investir em tecnologia. &#8220;<strong>Se n\u00e3o usar, \u00e9 pior<\/strong>&#8220;, justifica.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima colheita, o Siqueira, que \u00e9 vice-presidente do Sindicato Rural de J\u00falio de Castilhos, obteve rendimento m\u00e9dio de 12 sacas por hectare. &#8220;<strong>Foi p\u00e9ssimo. Mas a gente n\u00e3o pode desacorssoar e parar.<\/strong>&#8220;<\/p>\n\n\n\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo Alencar <strong>Rugeri<\/strong>, assistente t\u00e9cnico estadual da Emater\/RS-Ascar, destaca que muitas propriedades seguem descapitalizadas, o que limita investimentos em tecnologia e insumos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>Mesmo com uma previs\u00e3o otimista de produtividade, os custos continuam altos. O produtor entra na safra apostando na normaliza\u00e7\u00e3o do clima e na recupera\u00e7\u00e3o de renda<\/strong>\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ressalta tamb\u00e9m o papel do <strong>zoneamento agr\u00edcola<\/strong> e do <strong>vazio sanit\u00e1rio<\/strong>, encerrado em 30 de setembro, que orientam o calend\u00e1rio de plantio e visam reduzir riscos fitossanit\u00e1rios e perdas por doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>As condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas para outubro indicam <strong>avan\u00e7o gradual da semeadura, com maior ritmo a partir da segunda quinzena<\/strong>, quando a umidade do solo tende a se estabilizar. Durante a solenidade de abertura do plantio, o secret\u00e1rio estadual da Agricultura, Edivilson Brum, refor\u00e7ou a confian\u00e7a em um ciclo mais regular. \u201c<strong>Se o clima ajudar, a soja pode voltar a colocar o Rio Grande do Sul em destaque nacional na produ\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o<\/strong>\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a recupera\u00e7\u00e3o esperada, o <strong>desafio da comercializa\u00e7\u00e3o segue no radar<\/strong>. O atraso nas vendas antecipadas, reflexo dos pre\u00e7os mais baixos e da cautela dos produtores, mant\u00e9m o mercado f\u00edsico travado. \u201c<strong>A soja brasileira perdeu for\u00e7a nos pr\u00eamios de exporta\u00e7\u00e3o, e os estoques altos da \u00faltima safra pressionam as cota\u00e7\u00f5es internas<\/strong>\u201d, analisa Silveira.<\/p>\n\n\n\n<p>O d\u00f3lar oscilando abaixo de R$ 5 tamb\u00e9m reduz a atratividade das vendas externas. Ainda assim, o especialista acredita que a <strong>demanda internacional tende a sustentar o escoamento ao longo de 2025, especialmente se o ritmo das importa\u00e7\u00f5es chinesas se mantiver forte<\/strong>. No ano passado, o Estado exportou produtos do complexo soja para 50 pa\u00edses, gerando US$ 6,33 bilh\u00f5es \u2014 a <strong>China respondeu por 56% desse total<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio global, portanto, refor\u00e7a o <strong>protagonismo brasileiro, mas tamb\u00e9m imp\u00f5e prud\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>H\u00e1 espa\u00e7o para o Rio Grande do Sul recuperar parte das perdas e melhorar sua rentabilidade, mas o mercado est\u00e1 vol\u00e1til. A janela de pre\u00e7os bons pode ser curta<\/strong>\u201d, avalia Roque.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a semeadura apenas come\u00e7ando, o tom entre os analistas \u00e9 de <strong>otimismo contido<\/strong>: o Estado se prepara para uma <strong>safra promissora<\/strong>, mas dependente de um <strong>clima cooperativo e de um mercado mundial em transi\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cota\u00e7\u00f5es mais baixas e custos elevados exigem cautela na comercializa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Mesmo com a perspectiva de uma safra mais cheia, o produtor ga\u00facho de soja inicia o novo ciclo em um <strong>ambiente de margens estreitas e comercializa\u00e7\u00e3o lenta<\/strong>. Os pre\u00e7os internos seguem pressionados pela <strong>oferta elevada e pela retra\u00e7\u00e3o dos pr\u00eamios de exporta\u00e7\u00e3o<\/strong>, reflexo da concorr\u00eancia sul-americana e da ampla disponibilidade global de gr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras &amp; Mercado, a soja no mercado f\u00edsico do Rio Grande do Sul tem oscilado entre <strong>R$ 125 e R$ 135 por saca<\/strong>, patamar que <strong>cobre os custos m\u00e9dios de produ\u00e7\u00e3o, mas oferece pouca rentabilidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>O produtor ainda est\u00e1 cauteloso, segurando a venda \u00e0 espera de um c\u00e2mbio mais favor\u00e1vel ou de uma rea\u00e7\u00e3o dos pr\u00eamios<\/strong>\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele observa que, no momento, apenas cerca de <strong>10% da safra 2025\/2026<\/strong> foi comercializada antecipadamente no Estado, <strong>percentual bem abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>recuo do d\u00f3lar<\/strong> abaixo de R$ 5 e a valoriza\u00e7\u00e3o do real reduzem a competitividade das exporta\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo em que <strong>insumos como fertilizantes e defensivos seguem com pre\u00e7os firmes<\/strong>. Para o engenheiro agr\u00f4nomo Alencar Rugeri, da Emater\/RS-Ascar, \u201c<strong>a conta segue apertada, especialmente para quem teve preju\u00edzo nas \u00faltimas safras e precisa repor capital de giro<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o <strong>cen\u00e1rio internacional pode mudar rapidamente<\/strong>, com reflexos sobre os pre\u00e7os dom\u00e9sticos, alerta Luiz Fernando Roque, da Hedgepoint.&nbsp;\u201c<strong>A continuidade da demanda chinesa e eventuais problemas clim\u00e1ticos nos Estados Unidos ou na Argentina ainda podem alterar o quadro. O produtor precisa planejar bem o ritmo das vendas<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: Jornal do Com\u00e9rcio<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O in\u00edcio oficial do plantio da soja no Rio Grande do Sul, aberto na semana passada em J\u00falio de Castilhos, marca o ponto de partida de uma safra cercada por expectativa e cautela. 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