Governo RS debate a preservação dos butiazais em seminário realizado em Porto Alegre

Sema integra a programação do encontro que segue no dia 22/5 com palestras e mesas de debate no auditório da Fetag

A valorização dos butiazais e o fortalecimento de estratégias para sua conservação e uso sustentável são destaque do XIII Seminário da Rota dos Butiazais, realizado nos dias 21 e 22 de maio, em Porto Alegre. O evento, que conta com a participação da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), marca uma década da iniciativa e reúne representantes do poder público, instituições de pesquisa, comunidades tradicionais, setor produtivo e sociedade civil.

A programação contempla palestras e mesas de debate no auditório da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), além de atividades práticas no Jardim Botânico de Porto Alegre, onde os participantes acompanham trilhas guiadas pela coleção de butiazeiros e oficinas de artesanato com produtos derivados do butiazal, reforçando o papel do espaço como referência em educação ambiental e conservação da flora nativa.

A abertura institucional contou com a presença do secretário-adjunto do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marcelo Camardelli; do diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da  Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Clênio Nailto Pillon; do tesoureiro da Fetag, Arnaldo Barcelos da Silva; da coordenadora de Meio Ambiente da CPFL Energia, Mônica Leite; e da chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Clima Temperado, Rosane Martinazzo.

Em sua fala, Camardelli destacou a relevância dos butiazais como ecossistemas característicos do bioma Pampa e da cultura do Rio Grande do Sul. 

“A Rota dos Butiazais representa um exemplo concreto de como a conservação da biodiversidade pode se dar de forma integrada ao território e às pessoas que vivem nele. Ao completar dez anos, o projeto também reforça o reconhecimento das comunidades locais e o valor de um dos grandes símbolos do Rio Grande do Sul, que é o butiá. Os butiazais são ambientes estratégicos para o equilíbrio ecológico: abrigam uma rica diversidade de espécies da fauna e da flora nativas, contribuem para a proteção do solo e dos recursos hídricos e, ao mesmo tempo, carregam um importante valor cultural impulsionando uma cadeia produtiva diversa de valorização da cultura gaúcha. É um conjunto de potencialidades que merece visibilidade, e iniciativas como essa são fundamentais para isso”, afirmou.

Ainda durante o seminário, foi firmado um acordo de cooperação técnica (ACT) entre a Sema e a Embrapa, voltado à promoção da conservação e do uso sustentável dos butiazais no Rio Grande do Sul. A parceria prevê a realização de ações conjuntas estruturadas em cinco eixos: apoio a políticas públicas e governança, conservação e manejo dos ecossistemas, fortalecimento da cadeia produtiva do butiá e de outras frutas nativas, capacitação e sensibilização da sociedade, além da formação de agentes multiplicadores. A iniciativa busca integrar conhecimento científico e saberes tradicionais, ampliando a proteção da biodiversidade e fomentando o desenvolvimento sustentável associado aos butiazais. 

Assinatura do Acordo de cooperação técnica entre Sema e Embrapa é assinado durante abertura do encontro.
Assinatura do Acordo de cooperação técnica entre Sema e Embrapa é assinado durante abertura do encontro. – Foto: Igor de Almeida – Ascom Sema

A diretora de Biodiversidade da Sema, Cátia Gonçalves, destacou que a iniciativa dialoga com os desafios contemporâneos da política ambiental. “A conservação deve ir além das áreas protegidas, incorporando também paisagens produtivas e promovendo a conexão entre fragmentos naturais. A articulação entre instituições públicas, universidades, comunidades e setor produtivo, conforme ressaltou, é essencial para garantir a continuidade e a efetividade dessas ações”, destaca.

O evento reuniu representantes do poder público, instituições de pesquisa, comunidades tradicionais, setor produtivo e sociedade civil. Viabilizado por meio da política de Reposição Florestal Obrigatória (RFO), com recursos das empresas CPFL RGE e CPFL Transmissão, o seminário evidencia a importância da cooperação entre os setores público e privado na promoção de iniciativas ambientais.

As inscrições são gratuitas e estão disponíveis neste link. A programação completa pode ser conferida nas redes sociais do evento.

Jardim Botânico é palco de oficinas e atividades práticas

Parte da programação do seminário ocorreu no Jardim Botânico de Porto Alegre, que sediou atividades do eixo “Experiências com o butiá”. O espaço, que abriga uma coleção de butiazeiros, recebeu, na manhã desta quinta-feira, trilhas guiadas e oficinas de artesanato com produtos derivados do butiazal, como chaveiros, colares e brincos. As ações reforçam o papel do Jardim Botânico na conservação das espécies nativas e na valorização do butiá, de relevância ambiental, histórica e cultural para o Rio Grande do Sul, com ocorrência nos biomas Pampa e Mata Atlântica. 

Trilha realizada no Jardim Botânico na manhã desta quinta-feira (21/5) integra a programação do Seminário.
Trilha realizada no Jardim Botânico na manhã desta quinta-feira (21/5) integra a programação do Seminário. – Foto: Igor de Almeida – Ascom Sema

Sobre a Rota dos Butiazais

A Rota dos Butiazais é um projeto internacional criado pela Embrapa. A iniciativa conecta pessoas, comunidades, instituições científicas, organizações sociais e gestores públicos do Brasil, do Uruguai e da Argentina, em torno da conservação dos ecossistemas de butiazais e do uso sustentável do butiá — palmeira nativa de grande valor ambiental, cultural e econômico.

A Sema atua como parceira institucional estratégica, contribuindo para a integração da Rota às políticas públicas ambientais, para o apoio técnico e para a articulação com municípios e comunidades locais. Dessa forma, fortalece ações de conservação, de manejo sustentável e de promoção do patrimônio natural e cultural associado ao butiá.

Por que é importante preservar os butiazais

Os butiazais formam ecossistemas únicos, que abrigam grande variedade de plantas e animais nativos. O butiazeiro funciona como uma espécie “guarda-chuva”, pois agrega e sustenta outras formas de vida no seu entorno. Além disso, a preservação desses ecossistemas contribui diretamente para a manutenção da flora e fauna dos campos nativos do Pampa.

Fonte: Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura

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