Apesar das perdas no RS, safra de soja deve bater recorde em 2025/2026

A projeção recorde para a safra brasileira de soja em 2025/2026 deve reforçar o peso do agronegócio na economia nacional, mas o Rio Grande do Sul segue convivendo com um cenário desigual no campo. Enquanto estados do Centro-Oeste e do Matopiba puxam a revisão positiva da produção, os produtores gaúchos enfrentam perdas associadas à estiagem e agora também dificuldades na reta final da colheita por excesso de umidade.

Estimativas revisadas pela consultoria Hedgepoint Global Markets apontam que a produção brasileira da oleaginosa deve atingir 181 milhões de toneladas, atingindo novo recorde histórico. O volume representa aumento de 1,5 milhão de toneladas em relação à estimativa divulgada em janeiro e crescimento de 5,4% sobre o ciclo anterior, que alcançou 171,6 milhões de toneladas.

A revisão foi motivada principalmente pelo aumento das produtividades médias em estados como Mato Grosso, Goiás e Bahia. A consultoria elevou a produtividade nacional para 3.708 kg/ha, acima dos 3,6 mil kg/ha registrados na safra 2024/2025. A área cultivada também avançou, chegando a 48,8 milhões de hectares.

De acordo com o coordenador de Inteligência de Mercado de Grãos & Oleaginosas da Hedgepoint, Luiz Fernando Roque, as condições climáticas favoráveis nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste garantiram rendimentos superiores aos inicialmente previstos.

O aumento na estimativa de produção em relação a janeiro derivou principalmente de ajustes nas produtividades médias esperadas para importantes estados produtores, com elevações nas produtividades de estados como Mato Grosso, Goiás e Bahia“, afirma o especialista.

O executivo ressalta, porém, que o desempenho nacional acabou compensando as perdas registradas no Rio Grande do Sul, onde parte das lavouras voltou a sofrer com baixa umidade nos primeiros meses de 2026. Ainda assim, a produção gaúcha deverá superar a da safra passada.

No Estado, a colheita se aproxima do fim. Conforme a Emater/RS-Ascar, foram cultivados 6,62 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 2.871 kg/ha — bem abaixo da média nacional projetada pela consultoria. A expectativa é de uma safra de 19 milhões de toneladas.

O avanço da colheita chegou a 79% das áreas, ultrapassando as 15 milhões de toneladas, mas o ritmo desacelerou em razão das chuvas frequentes e da elevada umidade atmosférica. As condições climáticas têm limitado as janelas operacionais e elevado problemas de qualidade, como aumento de impurezas e de grãos avariados.

As diferenças de produtividade entre regiões e propriedades seguem marcantes no território gaúcho. Áreas semeadas em períodos mais favoráveis e beneficiadas por melhor distribuição de chuvas registram rendimentos considerados próximos de uma safra normal. Já lavouras atingidas pela estiagem durante o enchimento de grãos acumulam perdas que, em alguns casos, superam 50% do potencial produtivo.

Além das dificuldades climáticas, produtores enfrentam aumento da incidência de ferrugem-asiática, doenças de final de ciclo e percevejos. O controle das pragas e doenças tem sido prejudicado pela dificuldade de acesso às lavouras em função do excesso de umidade.

Mesmo com os problemas no Sul, a combinação entre expansão de área e ganhos de produtividade em outras regiões consolida um novo patamar para a produção brasileira de soja, reforçando a liderança do País no mercado global da commodity.

Fonte: Jornal do Comércio

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