Exportações de frango e suínos avançam em fevereiro com demanda asiática
As exportações brasileiras de carne de frango e suína registraram crescimento em fevereiro, sustentadas principalmente pela demanda de países asiáticos. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram avanço tanto em volume quanto em receita nos embarques das duas proteínas.
No caso da carne de frango, foram exportadas 493,2 mil toneladas no mês, volume 5,3% superior ao registrado em fevereiro de 2025, quando o total embarcado foi de 468,4 mil toneladas. O resultado representa o maior já registrado para o mês.
A receita também atingiu recorde para fevereiro, com US$ 945,4 milhões, alta de 8,6% em relação aos US$ 870,4 milhões obtidos no mesmo período do ano passado.
No primeiro bimestre de 2026, o setor acumulou 952,3 mil toneladas exportadas, crescimento de 4,5% frente às 911,4 mil toneladas embarcadas no mesmo intervalo de 2025. Em receita, o avanço foi de 7,2%, chegando a US$ 1,819 bilhão.
A China reassumiu a liderança entre os principais destinos da carne de frango brasileira em fevereiro, com 49,4 mil toneladas embarcadas, volume praticamente estável em relação ao mesmo mês do ano passado. Na sequência aparecem Emirados Árabes Unidos (44 mil toneladas, +13,4%), Japão (38,2 mil toneladas, +38%), Arábia Saudita (33,8 mil toneladas, +7,3%), África do Sul (31,3 mil toneladas, +27,6%) e União Europeia (30,1 mil toneladas, +46,3%).
Também figuram entre os principais compradores Filipinas (30 mil toneladas, +29,2%), Coreia do Sul (18,5 mil toneladas, +2,4%), México (15,8 mil toneladas, -24,3%) e Singapura (15,4 mil toneladas, +20,1%).
Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho reflete a recuperação plena do fluxo comercial após restrições ocorridas em 2025. “Vimos em fevereiro a consolidação da retomada dos embarques para a China, nos mesmos patamares anteriormente praticados para este destino, comportamento também observado nas exportações para a União Europeia”, afirmou.
Ele acrescenta que os efeitos comerciais do foco de influenza aviária registrado na produção comercial brasileira em maio do ano passado já foram superados, o que tende a favorecer o desempenho das exportações nos próximos meses. Ao mesmo tempo, o setor busca alternativas logísticas para manter o fluxo de embarques para destinos afetados por conflitos no Oriente Médio.
Entre os estados exportadores de frango, o Paraná permaneceu na liderança em fevereiro, com 211 mil toneladas embarcadas, alta de 13,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Santa Catarina aparece com 104,6 mil toneladas (-1,9%), seguida pelo Rio Grande do Sul, com 61,1 mil toneladas (-12,47%), São Paulo, com 28,8 mil toneladas (+6,4%), e Goiás, com 24,5 mil toneladas (+19,36%).
Suínos ampliam vendas às Filipinas
As exportações brasileiras de carne suína também cresceram em fevereiro. Foram embarcadas 122,1 mil toneladas, aumento de 6,7% em relação às 114,4 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2025.
A receita alcançou US$ 284,1 milhões, avanço de 4,1% sobre os US$ 272,9 milhões obtidos um ano antes.
No acumulado do primeiro bimestre, os embarques somaram 238,4 mil toneladas, alta de 8,1% frente às 220,5 mil toneladas exportadas no mesmo período do ano passado. Em receita, o crescimento foi de 8,5%, chegando a US$ 554,4 milhões.
As Filipinas consolidaram-se como principal destino da carne suína brasileira em fevereiro, com 40,9 mil toneladas importadas — aumento de 77,4% na comparação anual. Em seguida aparecem Japão (12,1 mil toneladas, +34,8%), China (11,1 mil toneladas, -43%), Chile (8,8 mil toneladas, +6%) e Hong Kong (8 mil toneladas, -40%).
Também estão entre os principais mercados Singapura (5,4 mil toneladas, -16,6%), Argentina (4,3 mil toneladas, -10,5%), Uruguai (4 mil toneladas, +8,7%), México (3,2 mil toneladas, +8%) e Geórgia (3,1 mil toneladas, +122%).
Santin avalia que a expansão das vendas para países asiáticos e a diversificação de destinos fortalecem a pauta exportadora do setor. “O avanço expressivo em mercados como Filipinas e Japão demonstra a confiança dos importadores no status sanitário e na competitividade da proteína produzida no Brasil”, afirmou.
Entre os estados exportadores, Santa Catarina permaneceu na liderança dos embarques de carne suína em fevereiro, com 57 mil toneladas, embora com recuo de 7,7% frente ao mesmo período do ano passado. O Rio Grande do Sul aparece na sequência, com 29,7 mil toneladas (+24,1%), seguido pelo Paraná, com 20,6 mil toneladas (+15,3%), Mato Grosso, com 3,9 mil toneladas (+39,2%), e Minas Gerais, com 3,1 mil toneladas (+34,3%).
Novo mercado para frango
O setor também comemorou a abertura do mercado das Ilhas Salomão para a carne de frango brasileira, anunciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. O país do Pacífico, com cerca de 830 mil habitantes, possui produção doméstica limitada e depende de importações para atender à demanda por proteína animal. Em 2024, as compras externas de carne de frango somaram aproximadamente US$ 10,8 milhões, com fornecimento concentrado principalmente na Austrália e nos Estados Unidos.
Segundo Santin, a abertura amplia as oportunidades para o setor brasileiro. “A abertura desse mercado coloca o Brasil como alternativa sólida na parceria estratégica para o apoio à segurança alimentar deste país, oferecendo proteína de qualidade produzida com elevados padrões sanitários e grande capacidade de abastecimento”, afirmou.
Fonte: Jornal do Comércio

