Calor intenso impacta hortaliças e preços sofrem instabilidade no RS

A produção e a comercialização de hortaliças têm sido afetadas pelo estresse climático deste verão. O calor intenso das últimas semanas no Rio Grande do Sul e as chuvas irregulares e mal distribuídas vêm interferindo diretamente na oferta e na qualidade dos produtos, em especial daqueles mais sensíveis, como as folhas verdes.

O impacto tem sido registrado especialmente em itens como espinafre, alface e rúcula, que sofrem consequência direta das altas temperaturas registradas nos meses de janeiro e fevereiro no Estado. Outro fator que interfere na qualidade dos produtos é a ocorrência de pragas e doenças, que aumentam durante esse cenário climático, pois encontram condições favoráveis para se proliferar e, consequentemente, ampliam as perdas nas lavouras.

Os principais impactos do clima quente nas culturas são a queima das folhas, a murcha devido à perda de água mais rápida do que a absorção e a redução do crescimento vegetativo, que compromete o desenvolvimento geral do plantio e reduz o padrão comercial dos produtos colhidos, como explica Gervásio Paulus, coordenador técnico estadual de Olericultura da Emater/RS.

“A cultura, durante as ondas de calor, pode experienciar a queima das folhas, especialmente as folhosas. Também pode ocorrer um menor tempo de duração de prateleira, principalmente aquelas que foram colhidas no campo ou em calor extremo. Provavelmente vão durar menos tempo”, explica Paulus.

O cultivo de hortaliças folhosas e de brássicas, casos do repolho e da couve flor, apresentam melhor adaptação a condições de clima mais ameno. Os tomates, por exemplo, são hortaliças que, acima de 25°C, sofrem quebra dos tecidos dos frutos de maneira mais acelerada, o que impacta diretamente na aparência e na textura.

E em um cenário climático como o que o Estado enfrenta atualmente, as culturas não se desenvolvem de forma adequada, resultando na redução da oferta e da qualidade dos produtos. O presidente da Ceasa/RS, Carlos Siegle, destaca que “o mercado é fortemente impactado pela lei da oferta e da demanda”. “Sendo assim, quando há redução da oferta, os preços naturalmente sobem”, complementa.

Apesar do impacto climático, Siegle afirma que o aumento nos preços dos produtos comercializados no Ceasa não foi tão intenso quanto em outros anos, devido à grande oferta de alguns produtos nessa temporada, o que ajudou a equilibrar parcialmente o abastecimento. 

Para armazenar os produtos em períodos de calor intenso, a recomendação é refrigerar aqueles que permitem esse tipo de armazenamento, higienizá-los corretamente e realizar compras de forma escalonada. Por exemplo, em vez de comprar um quilograma de banana, a orientação é comprar 500 gramas.

Esse cuidado ajuda a preservar melhor as características sensoriais dos alimentos, como sabor, textura e aparência, além de evitar perdas financeiras para o consumidor. Por isso, é fundamental ser assertivo na hora da compra, diminuindo assim, o risco do desperdício “É importante destacar que frutas e hortaliças são organismos vivos, que continuam o processo de respiração após a colheita. As altas temperaturas aceleram esse processo e, consequentemente, reduzem a vida útil do produto”, reitera Siegle.

Previsão para fevereiro é de calor e temporais

O clima, nesse caso, é uma peça central no mercado de hortaliças e outras culturas.  Para fevereiro, a tendência do tempo no Estado, de acordo com a Estael Sias da MetSul Meteorologia, é que a massa de ar quente de forte a intenso calor retorne com mais umidade e ocorrência de temporais frequentes e isolados ao longo de vários dias. A inclinação é que o panorama de produção nas lavouras continue levemente instável nas próximas semanas devido a volta da massa de ar quente.

Fonte: Jornal do Comércio

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