Vencedores da Prova de Eficiência Alimentar e a aposta na evolução genética da raça Angus
Classificados no Grupo de Elite da avaliação, encerrada na sexta (27), falam da participação do projeto que completou oito edições em 2025
Oportunidade de contribuir para a evolução da raça e a possibilidade de aumentar o conhecimento genético do próprio rebanho. Essas são algumas razões apontadas pelos criadores classificados com reprodutores no Grupo de Elite da Prova de Eficiência Alimentar 2025, encerrada na sexta-feira (27), para disponibilizarem os animais ao estudo. A avaliação foi promovida pela Associação Brasileira de Angus e Ultrablack e a Embrapa Pecuária Sul, em Bagé/RS, entre os meses de março e junho.
Primeiro colocado do certame, com direito, ainda, à conquista do quarto lugar, José Paulo Dornelles Cairoli, da Fazenda Reconquista, também é o presidente da Associação. Entusiasta da pauta, participa da prova feita com a Embrapa há quatro edições, e ressalta que o projeto busca dar condições para que o produtor melhore o seu rebanho e reduza os custos de produção. “O papel da Associação é criar mecanismos para que o criador gaste menos na propriedade. A relação entre menor consumo de alimento com a quantidade de quilos obtidos é um desses avanços. O que, aliás, pode ser transmitido geneticamente. Ainda estamos longe do que podemos alcançar em termos de divulgação sobre todo o trabalho que é feito, mas já conquistamos muito”, avalia.
Como criador, Cairoli comemora o resultado dos dois exemplares no Grupo de Elite, dos três que levou a Bagé. Na qualidade de presidente da entidade, confirma a próxima edição da PEA, que deve ser realizada com animais mais jovens. “Toda conquista valoriza as cabanhas, por isso ficamos muito satisfeitos com mais essa participação. A próxima Prova de Eficiência Alimentar será ainda maior, e com concorrentes mais novos. Estamos demonstrando ao mercado e ao consumidor os avanços dentro da genética e, ao associado, o nosso esforço, como entidade, para valorizar a raça”, ressalta.
O segundo lugar da Cabanha Ouro Preto
Do município de Pedras Altas (RS) veio o segundo colocado. Essa foi a segunda vez que a Cabanha Ouro Preto participou da PEA. O criador Eduardo Dias reafirma a relevância do estudo para o crescimento da raça, e o quanto representa para a economia do setor. “Hoje, um dos maiores impactos em termos de custos de produção em uma propriedade é a alimentação. Identificar esses animais mais produtivos é muito importante, não apenas para a nossa criação, mas para a raça como um todo”, avalia.
Conhecer a genética, quais são os animais mais eficientes e estender para o restante da propriedade são outros argumentos defendidos. “Em 2024, trouxemos dois animais, e ficamos com o segundo e terceiro lugares. Neste ano, voltamos com outras linhagens, justamente para ir conhecendo a nossa genética para a eficiência alimentar. E, de novo, foi uma alegria ver um touro na segunda colocação e o outro dentro do grupo superior”, analisa. De acordo com Eduardo, a Ouro Preto estará novamente presente no ano que vem, reforçando o elenco dos competidores. “Pretendemos continuar participando, por ser uma prova que agrega muito à raça e nos ajuda a identificar os animais com maior produtividade”, encerra.
La Coxilha: grande incentivadora da PEA
A motivação da Cabanha La Coxilha, de Cacequi (RS), em participar da PEA é sua importância para a pecuária nacional. De acordo com Gabriel Barros, produtor e diretor de fomento da Associação, os próximos passos do segmento e da raça Angus passam pelo projeto. “Quando falamos de futuro, falamos de sustentabilidade. Por isso, os produtores precisam cada vez mais se unir com esse objetivo. Esse é o grande motivo que nos leva a submeter os nossos animais à prova. Além do grande apoio que a entidade dá, subsidiando parte da PEA, um grande incentivo a todos os criadores”, afirma.
E não é a primeira vez que a propriedade manda representantes. Segundo Barros, já foram quatro participações da La Coxilha, que soma repetidos resultados positivos. Nesta edição, três animais estavam inscritos, com dois deles finalizando bem ranqueados. “O mais importante é que são dois filhos da mesma mãe, uma doadora da propriedade. Isso representa um grande resultado genético das nossas escolhas tomadas. O impacto principal do resultado é que, agora, vamos trabalhar com as informações, entender um pouco melhor a genética dos exemplares disponibilizados para o estudo, acompanhar o resultado genômico e, assim, maximizar ainda mais a seleção”, aponta.
O diretor de fomento é outro a garantir o retorno na próxima edição. “Sem dúvida nenhuma vou estar presente. Continuarei apoiando esse trabalho da Associação, por entender sua importância para a genética, não só da Angus, mas para a pecuária de todo o país”, pontua.
Fazenda Santa Cecília completa o Grupo de Elite
Vindo de Santiago (RS), o criador Fernando Gonçalves, da Fazenda Santa Cecília, conquistou o 5º lugar em 2025. Grande incentivador da avaliação, é participante tradicional, e neste ano disponibilizou mais um animal, o qual comemora pelo excelente padrão apresentado, somando o consumo alimentar residual às características próprias que, de acordo com o proprietário, fazem dele um destaque da raça.
Para Gonçalves, a PEA é uma grande oportunidade de conectar os rebanhos por meio dos dados de performance, fortalecendo o melhoramento genético. Segundo ele, o objetivo não é ficar entre os primeiros colocados, mas contribuir com a evolução da raça. “Quem leva a sério a criação e faz o uso dos dados, tem a chance de contribuir e aproximar os rebanhos. Temos de avançar também neste ponto. Em 2026, iremos participar novamente”, enfatiza.
Fonte: Associação Brasileira de Angus

