
“A longevidade destes animais é algo fora do comum”, Cavalos Crioulos superam marcas etárias
Não é novidade a rusticidade do Cavalo Crioulo. Anos de seleção natural e melhoramento genético por parte dos criadores apaixonados pela raça fortaleceram características únicas. Aliadas ao zelo por parte de proprietários a longevidade torna-se ainda mais presente nos exemplares da raça, assim superando marcas expressivas. Exemplo disso é Heroi da Terra Preta, garanhão que esbanja saúde no auge dos seus 34 anos, ocupando atualmente o título de exemplo vivo mais antigo nos registros da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos, a ABCCC.
“Então comprei ele do meu tio quando era jovem, na época não sabia que precisava marcar e tudo mais e acabei não marcando ou castrando na época. Fomos em muitas cavalgadas e ele é meu xodó! E aqui estamos com mais de três décadas de parceria”, conta a proprietária Taiana Paludo, da Cabanha Pátria Crioula, de Nova Prata, Rio Grande do Sul. Dedicada a criação, Taia ressalta que a paixão pela raça começou com Herói, primeiro exemplar qual tem total cuidado atualmente, “Mesmo esbanjando saúde, tenho um zelo especial por ele, que fica em um piquete exclusivo, com pastagem, água, sombra e abrigo disponíveis em tempo integral, qual ele tem acesso quando deseja. Já testamos outros sistemas de manejo, que ele não se adaptou, e pela qualidade de vida dele mantemos assim“.
Herói da Terra Preta, 34 anos, vive em um piquete com acesso a abrigo e tem cuidados especiais
“Ele está muito bem de estado corpóreo e toda sanidade, nunca conheci um cavalo tão longevo“, destaca o Inspetor Técnico Credenciado à ABCCC, Thiago Orlando, que conheceu a história da relação entre Taia e Herói, durante a visita à propriedade. “Por opção da proprietária ele não foi apresentado para a confirmação. Foi uma escolha dela, nós como inspetores temos que tomar cuidado e respeito a isso. Muitas vezes nos deparamos com exemplares na propriedade que não atendem as características raciais, mas nem por isso deixam de ser bonitos ou terem apreço do proprietário. Nosso trabalho é respeitar, orientar, incentivar e fortalecer o sonho do criador“, destaca o inspetor. Thiago ainda comenta que devido a paixão da criadora, ela possui apenas um filho do garanhão na propriedade, que não possui registro, mas por desejo dela e por manter uma genética do seu gosto optou pelo descendente.
Taia e seu companheiro Heroi
Algumas histórias percorrem o universo crioulista referente a longevidade de exemplares, infelizmente poucas documentadas e registradas. No sistema do Registro Genealógico da ABCCC, destaca-se a exemplar mais velha da raça, atingindo a marca de 35 anos. Alcalina das Mercedes, nasceu em 9 de novembro de 1989, de criação de Luiz Osório Dias Chiappetta, sob propriedade de Francisco de Paula Fontoura Brum. Francisco fala com emoção da RP 12, “Ela nos deixou recentemente, uma perda genética e histórica imensurável para a raça. Esbanjando saúde, estava gestando e integrante de um belíssimo projeto de resgate e perpetuação das linhagens crioulas, a Alcalina nos deixou de forma misteriosa. Estava em um piquete para análise veterinária, acordando sem vida na manhã seguinte, acreditamos que uma descarga elétrica ocasionou o óbito. Para muita tristeza da nossa família“.
Conforme explica Idelena Weege da Silveira, Gerente do Setor Administrativo, Financeiro e Registro Genealógico, de acordo com o registro ativo do Sistema da Associação, os exemplares automaticamente quando atingem 30 anos são inativados no sistema, compreendendo que os mesmos encontram-se em óbito. Para efetiva manutenção e registros da raça, orienta-se que os criadores que possuem animais com idade superior aos trinta anos, durante as visitas dos inspetores técnicos, realizem a “Prova de Vida do Animal”, qual será informada pelo profissional ao registro e assim manterá ativa o registro do mesmo.
Fonte: ABCCC