Prejuízos da estiagem somam R$ 117,8 bi desde 2020 no RS

A Assessoria Econômica da Farsul (Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul) realizou um levantamento dos prejuízos causados pelas estiagens dos últimos anos no estado. De 2020 a 2024, conforme o estudo, o Rio Grande do Sul não registrou perdas apenas em 2021, ano de forte estiagem, mas acumulou um total de R$ 106,5 bilhões que, ajustando pela inflação, chega a R$ 117,8 bilhões.

Considerando todo o agronegócio, incluindo a agropecuária, indústria, serviços e impostos indiretos o total chega a R$ 319,1 bi. O valor é equivalente a 49% do PIB do estado tendo como referência a estimativa preliminar de 2023 (último dado do Departamento de Economia e Estatística) que é de R$ 645,3 bi. Para o cálculo foram utilizadas as culturas de arroz, soja, milho e trigo, principais do estado.

Estiagem segue causando danos para produtores

A sensação dos agricultores e pecuaristas gaúchos é de que esta estiagem pode ser uma das mais severas dos últimos anos. “Lá na minha propriedade, tive que remanejar o gado porque os bebedouros secaram. Nunca tinha visto isso. O estresse hídrico é o mais grave em anos”, conta o produtor de Santa Maria e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade, Delcimar Borin.

De acordo com a compilação de dados da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, 79 municípios decretaram situação de emergência. Destes, 21 tiveram o decreto homologado pelo governo do estado, e sete obtiveram reconhecimento federal. Além disso, 105 municípios noticiaram situação de emergência. “Tem agricultor me contando que está perdendo tudo. Tem lavoura que não vai dar para recuperar nada, mesmo que chova nos próximos dias, porque a planta não tem mais energia para absorver água. Até frutíferas estão abortando, árvores nativas também estão abortando os frutos”, comentou.

Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), os prejuízos nas lavouras do estado podem chegar a 50%. Apesar disso, ainda não há um levantamento oficial e definitivo, porque a chuva, se acontecer, pode recuperar algumas culturas. Conforme explica Claudinei Baldissera, diretor técnico da Emater-RS, como o fenômeno climático ainda está em curso, não é possível falar em dados concretos, nem se essa será a estiagem mais severa dos últimos tempos. 

Um dos fatores mais preocupantes desta seca é a irregularidade das precipitações. “Um produtor diz que choveu, e ali do lado não choveu. Esperamos que as chuvas previstas para esta semana tragam alguma melhora. Mas é angustiante, porque todo dia parece que vai chover, mas não chove“, disse Borin.

Entidades tentam renegociação de dívidas para produtor

O presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, confirma que algumas perdas são irreversíveis. Ele afirmou que se reunirá na segunda-feira com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, deputados, prefeitos, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), cooperativas e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para tratar da negociação das dívidas dos produtores, já que o projeto de securitização pode demorar. “Entre as medidas, estamos pedindo 12 anos de prorrogação, com dois anos de carência”, contou.

O prefeito de Santa Maria, Rodrigo Decimo, confirmou que a situação se agrava a cada dia. Até o momento, o município está auxiliando 780 famílias da zona rural, distribuindo mais de 100 mil litros de água diariamente por meio de caminhões-pipa. Segundo ele, há relatos de perdas na bovinocultura de leite e no gado de corte. “A zona urbana não sofre com desabastecimento”, concluiu.

Uruguaiana, que teve a situação de emergência reconhecida pelo governo federal, já ultrapassou os 400 mil litros de água potável distribuídos ao interior do município devido à forte estiagem que atinge a Fronteira Oeste. O apoio com caminhões-pipa começou no final de dezembro de 2024 e se tornou um trabalho contínuo devido à escassez de chuvas e à consequente queda nos níveis dos reservatórios. Os distritos atendidos são, principalmente, aqueles que possuem poços artesianos. Até o momento, cerca de 70 famílias já receberam o suporte.

“Aqui estamos com prejuízos na bovinocultura de leite, hortifrúti e na soja. Além disso, tivemos 80 focos de incêndio desde o início da estiagem. São quase 800 hectares de queimadas por conta da seca”, relatou o coordenador municipal da Defesa Civil, Paulo Woutheres. Segundo ele, a cidade pretende construir poços artesianos em três regiões para mitigar os impactos das próximas secas.

Fonte: Jornal do Comércio

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