
Governo investirá R$ 7,15 bilhões no escoamento da safra 2025
O governo federal vai investir R$ 7,15 bilhões em medidas para escoamento da safra de grãos em 2025. A cifra inclui investimentos públicos previstos pelo Ministério dos Transportes e pelo Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor) e considera valores previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2025.
Os aportes apresentados na cerimônia conjunta entre os ministérios já eram conhecidos, uma vez que fazem parte dos planos setoriais das pastas de infraestrutura. A safra de grãos 2024/2025 é estimada em recorde de 322,25 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Para a malha rodoviária, o plano prevê a ampliação dos investimentos de R$ 2 bilhões para R$ 2,6 bilhões no Arco Norte, conjunto de rodovias e ferrovias que atendem portos e estações de transbordo dos estados de Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Maranhão. No Arco Sul/Sudeste, o investimento deve passar de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,9 bilhão.
Estão previstas concessões de trechos rodoviários, a intensificação da fiscalização da pesagem e o apoio ao licenciamento ambiental para rodovias. Há previsão de nove leilões para concessão de corredores rodoviários importantes ao agronegócio, totalizando 5,5 mil km (sendo 1 mil km em duplicação) e investimentos de R$ 91,4 bilhões.
O plano também inclui projetos ferroviários, como trechos da Fiol 2 e da Transnordestina, e leilão do corredor Ferrovia de Integração Centro Oeste (Fico)/Ferrovia de Integração Leste Oeste (Fiol), projeto que totaliza 1,7 mil km de trilhos, com um investimento estimado de R$ 99,7 bilhões. Há também a previsão de início das operações da Transnordestina, no trecho de Bela Vista (PI) a Iguatu (CE).
Dos cinco principais corredores rodoviários agrícolas, o Ministério dos Transportes estima que sejam movimentados 20 milhões de toneladas pela BR-163, 16 milhões de toneladas pela BR-364, 4 milhões de toneladas pela BR-242, 11 milhões de toneladas pela BR-155/158/FNS/EFC e 9 milhões de toneladas pela BR-135.
Na área portuária, a previsão é de aumento nos investimentos públicos e privados. Os investimentos públicos devem totalizar R$ 1,7 bilhão, contra R$ 1,04 bilhão empenhados em 2024. Já do setor privado são esperados R$ 18 bilhões, 32% mais que os R$ 13,6 bilhões verificados no ano passado.
A previsão de aumento de investimentos no setor portuário se deve principalmente a novas concessões e arrendamentos em portos como Itaguaí, Santos e Paranaguá. O governo federal estima que as concessões e arrendamentos totalizarão R$ 20 bilhões até o fim de 2026. As obras contemplam dragagens e modernização da infraestrutura.
Entre as hidrovias, que foram responsáveis por transportar 127,23 milhões de toneladas de produtos agrícolas em 2024, o governo prevê investir R$ 946 milhões, R$ 178 milhões a mais que em 2024. Uma das apostas para o setor é conceder as principais hidrovias do País, incluindo os rios Madeira, Paraguai, Lagoa Mirim, Barra Norte, Tocantins e Tapajós. Esses rios têm enfrentado secas severas nos últimos anos, impossibilitando a navegação por longos períodos. O governo entende que concedê-los à iniciativa privada possibilitará medidas mitigatórias mais céleres.
Plano logístico deve colaborar para redução de custo dos alimentos
O governo federal considera que o plano para o escoamento da safra de grãos de 2025 pode colaborar para a redução do preço dos alimentos no mercado interno. As avaliações de ministros são de que os investimentos em infraestrutura de transportes resultarão em menor custo logístico, podendo alcançar o consumidor final.
“As concessões de hidrovias, por exemplo, reduzem em quase 40% o custo das operações logísticas que hoje dependem das rodovias. Significa que, ao final, vamos trabalhar no médio e longo prazo também para ter custos de alimentos mais baratos na mesa do consumidor”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse que o plano de escoamento, embora atenda fundamentalmente as demandas para exportação, alcança o mercado interno. “Com olhar para hidrovias, ferrovias e rodovias, sem dúvida alguma terá efeito no preço final para o consumidor.”
Presente no evento, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, voltou a descartar qualquer “pirotecnia” em medidas do governo para frear alta dos preços dos alimentos.
“Não terá pirotecnia. Terá sim um acompanhamento, direcionamento para que possamos produzir o que mais pode faltar na mesa dos brasileiros. Quando tem abundância, a inflação cede. Este é o planejamento que se está cumprindo”, afirmou o ministro.
Fonte: Jornal do Comércio