Tecnologia e crédito guiam estratégia da indústria na Expodireto

A indústria de máquinas agrícolas chega à Expodireto Cotrijal 2026 com expectativa positiva, mas combinando cautela diante dos desafios recentes do setor no Rio Grande do Sul. A aposta é que a feira ajude a destravar investimentos em tecnologia e renovação de frota.

Fabricantes e concessionários apontam que o evento funciona como ponto de partida para negociações e para a apresentação de soluções capazes de ajudar o produtor a recuperar margens e aumentar a eficiência das operações.

Para a diretora de Vendas da Massey Ferguson, Kellen Bormann, o momento exige leitura cuidadosa do cenário, após anos marcados por instabilidade climática e pressão sobre a rentabilidade do produtor. Apesar disso, a empresa mantém uma perspectiva favorável para investimentos ligados à modernização das lavouras.

“Enxergamos este momento com moderação, compreendendo os desafios recentes enfrentados pelos produtores gaúchos. No entanto, mantemos uma perspectiva positiva, alinhada à necessidade de renovação de frota e aos investimentos necessários para a eficiência na lavoura, baixando o custo e aumentando a performance”, afirma.

Segundo ela, a Expodireto costuma gerar negócios tanto durante o evento quanto posteriormente nas concessionárias, à medida que os produtores analisam condições comerciais e alternativas de financiamento. Nesse contexto, a estratégia da empresa é reforçar o papel da tecnologia na busca por maior eficiência produtiva.

Nossa principal estratégia é mostrar ao agricultor que a tecnologia é a maior aliada dele para produzir mais, com menor custo e mais sustentabilidade.”

A concessionária SLC Máquinas, representante da John Deere, também vê na feira uma oportunidade de reforçar o relacionamento com os produtores rurais em um momento de reorganização financeira e produtiva das propriedades rurais.

De acordo com o CEO, Anderson Strada, a estratégia da companhia na feira está baseada em três frentes: geração de negócios, demonstração de tecnologia e proximidade com o produtor. Ele observa que, diante dos impactos recentes de eventos climáticos extremos no Estado, a indústria tem buscado ampliar o apoio ao produtor não apenas com equipamentos, mas também com financiamento, assistência técnica e soluções tecnológicas.

Mais do que vendas, nosso objetivo é contribuir com soluções, financiamento, suporte técnico e tecnologia que ajudem o produtor a recuperar margens e preparar suas propriedades para um novo ciclo de crescimento”, explica.

Na New Holland, a feira é vista como um momento para medir o interesse do produtor no início do ano e observar o ritmo de investimentos em máquinas. O diretor de Marketing da empresa para a América Latina, Márcio Contreras, destaca que o evento também permite à indústria avaliar o comportamento do mercado.

Contreras observa que o setor enfrenta um ambiente de maior cautela nas decisões de investimento.

Reconhecemos que o atual cenário apresenta desafios significativos para o setor, como as oscilações do mercado e um ambiente econômico que exige ainda mais atenção do produtor na hora de planejar investimentos”, diz.

Mesmo assim, a empresa aposta que a Expodireto pode abrir espaço para novos negócios e contribuir para a retomada gradual da modernização das propriedades.

Estamos comprometidos em apoiar o produtor rural justamente nesse momento, oferecendo soluções inovadoras que promovem maior eficiência no campo, permitem reduzir custos e potencializar a produtividade.”

Na Jacto, o cenário mais desafiador de crédito e margens reforça a importância da tecnologia como ferramenta para ampliar a eficiência no campo. O CEO da empresa, Carlos Daniel Haushahn, destaca que, mesmo em um ambiente mais competitivo para a indústria, o produtor continua buscando soluções que reduzam custos operacionais.

“A pulverização vem evoluindo muito ano após ano, e a cada safra novas tecnologias chegam para apoiar o produtor”, afirma. “Mesmo com taxas de juros elevadas, restrição de crédito e preços que nem sempre estão no nível que o produtor gostaria, seguimos vendo um ambiente de negócios ativo.”

Segundo ele, a tendência é de maior competição no setor, o que também pressiona as margens das fabricantes, mas mantém a demanda por inovação.

O produtor continua buscando eficiência, e é justamente aí que a tecnologia faz diferença para reduzir custos e aumentar a produtividade no campo”, completa.

Em comum, as empresas apontam que a combinação entre inovação tecnológica, alternativas de financiamento e proximidade com o produtor tende a ser determinante para estimular novos investimentos no setor, mesmo em um cenário de maior cautela nas decisões de compra.

Fonte: Jornal do Comércio

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