Produtores de tabaco iniciam nova safra sob pressão de preços e do clima
Os produtores de tabaco do Rio Grande do Sul iniciam a safra 2026/2027 em um cenário de preocupação com os preços e as condições climáticas. Depois de uma redução de 13,5% no valor médio recebido pelo produto no ciclo anterior, os fumicultores enfrentam novos prejuízos provocados pelo granizo, enquanto as exportações brasileiras acumulam retração. O cenário foi discutido na quarta-feira (28), durante reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, promovida pela Secretaria da Agricultura (Seapi).
Na safra 2025/2026, o preço médio pago aos produtores gaúchos caiu de R$ 20,45 para R$ 17,69 por quilo, segundo levantamento da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). A produção estadual também recuou 5,5%, para 286,6 mil toneladas, enquanto a produtividade média diminuiu 5,7%, chegando a 2.170 quilos por hectare. A área cultivada permaneceu praticamente estável, em aproximadamente 132 mil hectares.
A receita bruta da atividade no Estado alcançou R$ 5 bilhões. O Rio Grande do Sul respondeu por cerca de 40% das 710,2 mil toneladas produzidas na Região Sul, principal polo fumicultor do País. A atividade está presente em 205 municípios gaúchos e envolve aproximadamente 70 mil famílias produtoras.
As condições climáticas acrescentam incertezas ao novo ciclo. Segundo o coordenador da Câmara Setorial, Romeu Schneider, os prejuízos provocados pelo granizo já atingem um número maior de agricultores do que na safra anterior. A preocupação também envolve o excesso de chuvas e seus possíveis reflexos sobre o desenvolvimento das lavouras.
“Na safra passada, tivemos um número maior de indenizações a produtores em razão dos prejuízos provocados pelo granizo. Agora, acompanhamos as condições climáticas e os possíveis impactos sobre a safra 2026/2027, além das perspectivas de produção“, afirmou Schneider.
No mercado externo, o cenário também é de retração. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), apresentados pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), mostram que o Brasil exportou 310,2 mil toneladas entre janeiro e setembro deste ano, movimentando US$ 1,87 bilhão. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 17,69% no volume embarcado e de 20,5% na receita.
O desempenho ocorre após um ano de recorde no faturamento das exportações brasileiras de tabaco. Em 2025, as vendas externas somaram US$ 3,389 bilhões, com embarques de 561 mil toneladas. Bélgica, China, Indonésia, Estados Unidos, Vietnã, Emirados Árabes Unidos e Turquia estiveram entre os principais destinos.
Em meio a esse cenário, representantes dos produtores e da indústria se preparam para as negociações dos preços da safra 2026/2027, previstas para o início de novembro. As tratativas ocorrerão após um ciclo de redução da remuneração média dos agricultores, embora a queda recente das exportações não determine, isoladamente, os valores a serem negociados.
A Abertura Oficial da Colheita do Tabaco está marcada para 6 de novembro, na propriedade de Alceu e Eliane Tornquist, em Vila Progresso, no município de Vera Cruz, no Vale do Rio Pardo. Com 7,5 hectares, a família cultiva 90 mil pés de tabaco e diversifica a renda com milho, produção de ovos e outras atividades. Na última safra, colheu mais de 13 toneladas de tabaco.
Fonte: Jornal do Comércio

