Irga confirma 891,9 mil hectares de arroz no RS

O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) confirmou nesta quinta-feira (12/2) que a área semeada com arroz no Rio Grande do Sul na safra 2025/2026 totalizou 891.908,5 hectares, distribuídos em 135 municípios produtores. O número representa uma redução de 8,06% em relação ao ciclo anterior, quando foram cultivados 970.194 hectares.

O resultado é fruto do trabalho de 37 escritórios regionais da autarquia, com acompanhamento semanal desde o início do plantio e consolidação final dos dados em 30 de janeiro. Ao longo da coletiva, a direção da autarquia enfatizou o rigor metodológico do levantamento, considerado estratégico para a organização da cadeia produtiva.

A área final ficou abaixo da intenção inicial de plantio, estimada em cerca de 920 mil hectares, e também inferior à safra 2023/2024, quando o Estado havia registrado pouco mais de 900 mil hectares. O recuo é atribuído principalmente à combinação de preços baixos ao produtor ao longo de 2025 e dificuldades de acesso ao crédito.

Segundo o presidente do Irga, Alexandre Velho, esses fatores impactaram diretamente a decisão de plantio e podem refletir também no desempenho produtivo. Além da redução de área, há indicativos de menor uso de tecnologia nas lavouras nesta safra, em razão do aperto financeiro enfrentado pelos produtores.

Com a colheita ainda em fase inicial, a projeção preliminar aponta para uma produção entre 7,5 milhões e 7,8 milhões de toneladas, abaixo das cerca de 8 milhões registradas no ciclo anterior, quando a produtividade média ficou próxima de 9 mil quilos por hectare.

A retração foi registrada em todas as seis regionais arrozeiras do Estado. 

  • A Zona Sul teve a maior queda percentual, com 11%.
  • A Fronteira Oeste, responsável por 30% da produção, teve recuo de 10%.
  • Já a Região Central teve queda de 6%.
  • A Planície Costeira Interna diminuiu 4,8%.
  • A Planície Costeira Externa registrou redução de 1,9%.
  • Na Campanha, o recuo foi de 10,8%.

Ao analisar o cenário de mercado, Velho avaliou que, nas condições atuais, o Estado precisaria trabalhar com uma área ainda menor para alcançar maior equilíbrio entre oferta e demanda. “O ideal seria que o cultivo ficasse entre 800 e 850 mil hectares”, afirmou, ponderando que esse patamar depende do desempenho das exportações e da ampliação do consumo interno.

Enquanto o arroz recua, a soja avança nas terras baixas. A área cultivada em rotação com o cereal cresceu 19,9% nesta safra, alcançando 436.876,77 hectares. No ciclo anterior, haviam sido registrados cerca de 364 mil hectares.

O diretor técnico do Irga, Luiz Fernando Siqueira, destacou a relevância agronômica desse movimento. A rotação com soja melhora o potencial produtivo do arroz, contribui para a redução de custos e auxilia no manejo de plantas invasoras.

Ele associou a retomada da soja à perspectiva de um ano climaticamente mais regular, após uma sequência de estiagens e enchentes que provocaram forte oscilação na ocupação das áreas. Conforme explicou, anos de seca reduziram as culturas de sequeiro e estimularam o arroz irrigado; posteriormente, a enchente afetou significativamente as lavouras de soja, sobretudo na Zona Sul.

Além da conjuntura de preços — com média em torno de R$ 55 por saca frente a custo superior a R$ 80 — o seguro rural foi apontado como um dos principais pontos de fragilidade para a cadeia produtiva. O presidente Alexandre Velho lembrou que, na atual safra, a subvenção federal ao prêmio do seguro não foi repassada, obrigando produtores a assumirem integralmente o valor para não ficarem sem cobertura.

O grande calcanhar de Aquiles é o seguro”, afirmou, lembrando que menos de 10% da área agrícola brasileira conta com cobertura securitária, enquanto nos Estados Unidos o índice alcança cerca de 80%.

Diante desse cenário, o dirigente admitiu que, sem melhora nas políticas de crédito e seguro, o indicativo para a próxima safra é de nova retração de área, ampliando o desafio de manter equilíbrio entre oferta, rentabilidade e estabilidade produtiva no Estado.

Safra 2025/2026 – Arroz no RS
• Área semeada: 891.908,5 hectares
• Variação: -8,06% em relação a 2024/2025
• Municípios produtores: 135
• Produção estimada: 7,5 a 7,8 milhões de toneladas
• Produtividade anterior: cerca de 9 mil kg/ha
• Preço médio ao produtor: R$ 55/saca
• Custo estimado: acima de R$ 80/saca

Fonte: Jornal do Comércio

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