Gasolina de aviação agrícola sobe 67,3% e pressiona custos no campo

Os reflexos da guerra no Irã com o fechamento do estreito de Ormuz, por onde passa mais de 20% do petróleo consumido mundialmente, e a destruição de refinarias na zona de conflito, começam a ser sentidas pelas empresas de aviação agrícola, com o aumento do preço dos combustíveis específicos para esse fim. É o que revela o estudo Inflação dos Combustíveis sobre a Aviação Agrícola realizado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) que aponta um cenário de forte elevação na gasolina de aviação (AVGAS), com aumento de 67,3%, e do querosene de aviação (QAV), que avançou 51,6%. Além disso, o etanol, que move cerca de 20% dos aviões agrícolas, e o diesel, utilizado nos veículos de apoio em solo, tiveram variações mais moderadas de 6,9% e 7,7%, respectivamente.

O estudo também aponta incremento do Índice de Inflação da Aviação Agrícola (IAVAG), com previsão de alta superior a 6,75% em março, impulsionada principalmente pelos custos energéticos. “O Sul, Sudeste e o Centro-Oeste são os que carregam 87% da aviação agrícola do País, e todos estão sendo impactadas. Quando o custo da aplicação sobe, se percebe incremento de custos na lavoura, que acaba chegando no preço dos alimentos”, afirma o diretor operacional do Sindag e economista Cláudio Júnior Oliveira, que realizou o estudo.

O levantamento do Sindag demonstra ainda que, diante do incremento dos combustíveis, o custo operacional das empresas aumentou em média 25%, oscilando entre 14% e 40%, conforme a região e a composição da frota. Diante desse cenário, Oliveira afirma que será necessário aumentar em mais de 10% os preços dos serviços aéreos a campo, para manter a viabilidade das operações. “As empresas que se prepararam antecipadamente, prevendo esse aumento, encheram seus tanques e estão numa situação mais tranquila. As que não fizeram vão ter que repassar esse percentual”, revela o economista.

Entre as saídas para amenizar a situação está o estabelecimento de subsídios governamentais para tentar conter a escalada dos preços. Para isso, o Sindag levará os dados do estudo para o Instituto Pensar Agro (IPA) e, a partir daí, à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e aos ministérios da Fazenda, da Agricultura e Pecuária e à Casa Civil. “As subvenções são bem-vindas, mas não resolverão o problema, apenas amenizarão. A expectativa é de que a guerra ceda um pouco, abra o estreito de Ormuz para poder passar o óleo”, diz o especialista. Enquanto isso não ocorre, o setor tem buscado se adaptar a partir da revisão de contratos, ajuste de operações e busca de maior eficiência para absorver parte dos custos. “Também cresce o interesse por alternativas mais estáveis, como o etanol, que apresentou menor variação no período e já movimenta cerca de 20% da frota aeroagrícola”, informa.

O estudo ouviu 30 empresas aeroagrícolas de diferentes regiões do Brasil. Segundo Oliveira, esse movimento pode afetar a própria balança comercial brasileira, uma vez que a aviação agrícola atende os principais polos produtivos do País. Conforme o estudo, em 2025 os 10 principais produtos agropecuários brasileiros representaram mais de 40% das exportações. Lista que abrange soja (em grão, farelo e óleo), milho, açúcar (cana), café, celulose (florestas comerciais) e algodão. Além das carnes bovina e de frango que também dependem da soja e do milho na ração animal. Para completar, 83% da produção agrícola está concentrada em oito estados que, não por acaso, concentram 87% da frota aeroagrícola nacional: Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Bahia.

Fonte: Jornal do Comércio

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