Faturamento da indústria de máquinas agrícolas cai 21,6% até setembro
A indústria brasileira de máquinas e implementos agrícolas acumula queda de 21,6% no faturamento de janeiro a setembro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. A receita líquida totalizou R$ 41,47 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (28) pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A retração é ainda mais acentuada no mercado interno, onde as vendas recuaram 24,8%, refletindo as dificuldades dos produtores rurais para investir na renovação de equipamentos.
O desempenho do segmento agrícola é pior do que o registrado pelo conjunto da indústria brasileira de máquinas e equipamentos, cuja receita caiu 13,4% nos primeiros nove meses do ano. A Abimaq aponta os juros elevados como um dos principais obstáculos à recuperação dos investimentos. No agronegócio, o endividamento dos produtores e a redução da rentabilidade das commodities também têm limitado a capacidade de aquisição de máquinas.
A dimensão da retração aparece nas vendas de tratores e colheitadeiras. Entre janeiro e setembro, as saídas de tratores das fábricas caíram 26% em unidades, enquanto as de colheitadeiras recuaram 55,7%. Considerando as vendas aos usuários finais, as quedas foram de 17,7% e 38%, respectivamente.
Em setembro, as fábricas comercializaram 3.140 tratores, volume 48,4% inferior ao do mesmo mês de 2025. No caso das colheitadeiras, foram 255 unidades, redução de 29,6%. Apesar da recuperação mensal nas vendas de colheitadeiras, os resultados acumulados mostram que o mercado permanece distante dos níveis registrados no ano passado.
A retração também chegou ao emprego. A indústria de máquinas e implementos agrícolas encerrou setembro com aproximadamente 110 mil trabalhadores, redução de 11,9% em relação ao mesmo mês de 2025. No conjunto da indústria de máquinas e equipamentos, a queda foi de 3,8%, equivalente à eliminação líquida de 16,2 mil postos de trabalho em 12 meses.
O Rio Grande do Sul, que concentra uma parcela expressiva da fabricação nacional de máquinas agrícolas, está particularmente exposto às dificuldades do setor. Além das condições de financiamento, a sucessão de perdas climáticas nos últimos anos comprometeu a capacidade de investimento de agricultores gaúchos, com reflexos sobre fabricantes, fornecedores e concessionárias.
Apesar da redução das vendas no Brasil, as exportações de máquinas e implementos agrícolas cresceram 12,1% de janeiro a setembro, alcançando US$ 1,31 bilhão. Em setembro, as vendas externas somaram US$ 161,7 milhões, alta de 8,4% em relação ao mesmo mês de 2025.
O avanço no exterior, entretanto, não foi suficiente para compensar o enfraquecimento da demanda doméstica. Somente no mercado brasileiro, a receita das fabricantes agrícolas caiu para R$ 34,71 bilhões nos nove primeiros meses do ano.
Em setembro, houve uma recuperação de 8,2% no faturamento total em relação a agosto, mas o resultado ainda ficou 15,7% abaixo do registrado um ano antes. A receita interna apresentou comportamento semelhante: crescimento mensal de 6%, acompanhado de retração de 18,4% na comparação anual.
No conjunto da indústria de máquinas e equipamentos, a Abimaq também chama atenção para o avanço dos importados, que passaram a representar 47,6% do consumo nacional, ante 45,1% no mesmo período de 2025. A China lidera esse movimento, com crescimento de 17,7% nas vendas de equipamentos ao Brasil. Os percentuais abrangem todos os segmentos de máquinas, não apenas os destinados à agricultura.
Para a entidade, a combinação de crédito caro, investimentos enfraquecidos e maior concorrência externa dificulta a recuperação da indústria nacional. A Abimaq defende a redução dos custos financeiros e melhores condições de competitividade para os fabricantes brasileiros.
Fonte: Jornal do Comércio

