Exportações do agro gaúcho recuam 14% em janeiro, mas mantêm protagonismo

As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul somaram US$ 1,06 bilhão em janeiro de 2026, retração de 14% frente ao mesmo mês do ano passado. Em volume, os embarques totalizaram 1,4 milhão de toneladas, queda de 12%. Apesar do recuo, o setor respondeu por 73% do valor total exportado pelo Estado no período.

Segundo o assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Renan Hein dos Santos, a retração está concentrada em poucos produtos. “O principal produto responsável por essa queda foi, de novo, a soja em grãos”, afirmou. Ele destacou que o desempenho reflete ainda os efeitos da estiagem da safra passada, com menor oferta e forte impacto nas vendas para a China.

A soja em grãos registrou queda de 68% em valor, com US$ 43,4 milhões, e 70% em volume (99,9 mil toneladas). O fumo foi o segundo maior fator de pressão, com recuo de 47% em valor e 32% em volume. Os embarques para o mercado chinês, que há um ano demandaram 28,8 mil toneladas por US$ 280 milhões, em janeiro deste ano pagaram US$ 117 milhões por 14,6 mil toneladas do produto.

O trigo também apresentou retração relevante, de 34% em valor, totalizando US$ 83,1 milhões. Em volume, a queda foi de 33%, com 370,5 mil toneladas do cereal.

No geral, a China, principal destino individual do agro gaúcho, reduziu suas compras em 58% em valor e 65% em volume na comparação interanual, influenciando diretamente o resultado consolidado. Ainda assim, o gigante asiático adquiriu US$ 191 milhões em produtos do agro gaúcho, representando 18% do valor exportado. Na sequência vêm Índia (6%), Indonésia (5,9%), Países Baixos (5,5%) e Vietnã (4,7%).

Apesar do desempenho negativo em grãos e fumo, proteínas animais e arroz apresentaram avanço expressivo. A carne bovina cresceu 64% em valor e 42% em volume. O Reino Unido consolidou-se como segundo principal mercado do produto, avaliou o especialista da Farsul. Também houve aumento das vendas para Canadá e México, compensando parcialmente a redução para os Estados Unidos.

A carne suína avançou 53% em valor e 49% em volume. As Filipinas seguiram como principal cliente, com US$ 37,8 milhões e 16 mil toneladas, enquanto o Chile ampliou as compras, de US$ 3,2 milhões e 1,2 mil toneladas em janeiro de 2025 para US$ 7,6 milhões e 3,2 mil toneladas em janeiro de 2026.

Já a carne de frango registrou alta de 4% em valor, mesmo com retração em mercados tradicionais, como o Oriente Médio. Além do crescimento dos embarques para os Países Baixos, México, África do Sul, Bélgica e Espanha, o setor também projeta ampliar os negócios com a retomada iminente de exportações para a China.

Um dos desempenhos mais expressivos do mês ficou por conta do arroz: alta de 48% em valor e 145% em volume, com forte incremento das compras pela Venezuela. Para a Farsul, o movimento ajuda a reduzir o excedente interno e contribui para o equilíbrio do mercado.

Regionalmente, houve crescimento das exportações para Europa (+19% em valor), América do Sul (+21%), África (+9%) e América Central e Caribe (+55%). Em contrapartida, além da China, recuaram Ásia (exceto Oriente Médio), Oriente Médio e América do Norte.

Renan Santos avalia que o resultado de janeiro não configura sinal de alerta estrutural para o ano. “Isso ainda é cenário da estiagem passada”, disse. Segundo ele, o desempenho de 2026 dependerá principalmente do comportamento da nova safra de soja.

No plano nacional, o Ministério da Agricultura informou que as exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 10,8 bilhões em janeiro, queda de 2,2% em relação ao ano anterior, pressionadas pela redução dos preços médios, apesar do aumento no volume embarcado. O resultado brasileiro foi sustentado pelo recorde nas proteínas animais. No Rio Grande do Sul, embora as proteínas também tenham apresentado desempenho positivo, o peso da soja e do fumo na pauta estadual tornou o impacto da retração mais intenso do que na média nacional.

Indústria reage com alta nas vendas de máquinas agrícolas

Em sentido oposto ao desempenho do agro primário, as exportações gaúchas de máquinas e equipamentos agrícolas iniciaram o ano em alta. Dados do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) mostram que o setor embarcou US$ 38,9 milhões em janeiro, crescimento de 21% em relação ao mesmo mês de 2025.

A Argentina manteve-se como principal destino, com US$ 11,6 milhões (+14,1%), seguida pelo Paraguai, com US$ 4,8 milhões (-29,6%). Houve ainda um embarque pontual para a Indonésia, no valor de US$ 3,8 milhões.

A avaliação da Fiergs é de cautela com viés moderadamente positivo para 2026. A recuperação da economia argentina tende a ser o principal fator de sustentação das vendas externas do setor, mas o histórico de volatilidade e a dependência de operações concentradas recomendam prudência nas projeções ao longo do ano.

Fonte: Jornal do Comércio

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