Entidades do agro admitem acordo sem Fundo do Pré-Sal em dívidas
Nos bastidores da visita do ministro da Agricultura, André de Paula, a Porto Alegre, nesta quinta-feira (7), lideranças do agro gaúcho demonstraram percepção de que as negociações sobre o endividamento rural começam a avançar para uma solução intermediária entre o governo federal e as entidades do setor.
O principal ponto de divergência segue sendo o PL 5.122/2023, defendido por parlamentares da bancada ruralista e entidades do agronegócio, que prevê o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar a securitização das dívidas rurais acumuladas após sucessivas estiagens e as enchentes de 2024.
O governo federal resiste ao modelo e apresentou uma contraproposta alternativa, considerada insuficiente por parte do setor. Ainda assim, dirigentes ouvidos pelo Jornal do Comércio indicaram disposição para negociar outro formato, desde que haja melhora nas condições financeiras oferecidas aos produtores.
Entre os principais pontos defendidos pelas entidades estão:
- redução das taxas de juros;
- ampliação dos prazos de pagamento;
- redução ou eliminação das entradas exigidas nas renegociações.
Atualmente, a proposta em discussão prevê entrada de 10% para produtores adimplentes e 20% para inadimplentes.
O presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann, ponderou que, caso haja avanço nesses pontos, talvez nem seja necessária a utilização dos recursos do Fundo do Pré-Sal.
A avaliação entre lideranças presentes no encontro é de que o governo percebeu o desgaste político crescente da crise do agro no Rio Grande do Sul e, por isso, passou a intensificar as negociações. Ao mesmo tempo, representantes das entidades avaliam que manter apenas o confronto entre propostas pode inviabilizar qualquer solução prática para os produtores.
Dirigentes presentes ao encontro também demonstraram preocupação com a radicalização política do debate em torno da crise do agro gaúcho. A percepção entre parte das lideranças é de que há setores interessados em prolongar o desgaste entre governo federal e produtores em função do ambiente eleitoral.
Por isso, representantes de cooperativas e entidades passaram a defender a construção conjunta de uma alternativa negociada que permita destravar o diálogo e evitar agravamento da crise financeira no campo.
Fonte: Jornal do Comércio

