Bezerro Angus Certificado: padrão racial e valor desde a origem

O programa acompanha os animais desde a avaliação nas fazendas até o abate, garantindo origem, padrão racial e valorização da produção.

Em um mercado cada vez mais exigente por padronização e qualidade, iniciativas que conectam o campo à indústria vêm ganhando espaço. A necessidade do consumidor de entender a origem dos alimentos impulsiona programas que garantem transparência e previsibilidade na produção. Nesse cenário, o Bezerro Angus Certificado (BAC) se consolida como uma ferramenta para identificar, qualificar e valorizar animais ainda na origem e garantir padrão racial.

Essa ação foi desenvolvida pela Associação Brasileira de Angus para o Programa Carne Angus Certificada, a fim de destacar animais que posteriormente irão abastecer o programa. O BAC, possui foco em bezerros da raça Angus e suas cruzas. O objetivo é organizar a produção desde cedo, agregar valor ao animal e aproximar o pecuarista das exigências da indústria.

Certificação começa dentro da fazenda

Diferente de outros processos que se concentram em etapas finais da cadeia, o BAC inicia ainda na propriedade. Técnicos credenciados realizam visitas às fazendas para avaliação individual dos animais, seguindo critérios definidos pelo programa.

De acordo com a zootecnista e técnica do Programa Carne Angus Certificada, Letícia Brito, a avaliação nos primeiros meses, já representa um diferencial importante para todo o segmento. “É uma forma de unir o pecuarista a indústria frigorífica, garantindo que esse animal atenda aos critérios do programa e agregue valor desde cedo”, ressalta.

“Durante a análise, são observadas características fenotípicas da raça Angus, como padrão racial e conformação”, informa Brito, sobre a avaliação no momento da certificação. Ela também descreve alguns critérios que podem levar à exclusão de animais do BAC, como a presença de chifres, cupim elevado ou pelagens não aceitas, segundo ela, esses estão entre os principais motivos de reprovação.

A certificação na origem traz reflexos também nas etapas seguintes da produção. Por exemplo, quando o animal chega na indústria, parte dos critérios já foi previamente validado, garantindo o padrão racial exigido pelo programa e tornando a classificação mais ágil. Para Brito, esse processo reduz o “retrabalho” e aumenta a eficiência na indústria. “A identificação do BAC evita uma nova checagem do padrão racial no frigorífico, porque esse animal já foi avaliado na fazenda e está dentro dos critérios do programa”, destaca.

Reflexos na gestão e na valorização da produção
Na prática, os efeitos do programa vão além da certificação. Para a zootecnista Laís Aberrachid Jacopini, auxiliar de controle de nutrição na Terral Agricultura e Pecuária, a adesão ao BAC trouxe mais clareza sobre o rebanho, para a empresa, e abriu espaço para decisões mais estratégicas dentro da propriedade.

Segundo ela, a possibilidade de classificar os bezerros ainda jovens permite separar precocemente os animais fora do padrão, que podem ser comercializados antes, enquanto os demais seguem direcionados para sistemas mais exigentes. “Conseguimos fazer um descarte antecipado e focar nos animais que realmente atendem ao padrão Angus”, explica.

A valorização também já aparece na prática. Em uma comercialização recente, ela conta que a diferença dos lotes certificados para os comuns, chegou a R$2,00 por quilo, refletindo a maior demanda por animais com padrão definido.

Jacopini, conta que, outro impacto observado foi a mudança no olhar da equipe. Com o apoio dos técnicos do Programa Carne Angus e as visitas à fazenda, os trabalhadores passaram a identificar com mais facilidade as características da raça, aprimorando a seleção dentro do próprio rebanho.

Caminho para uma produção mais eficiente

Sem exigir mudanças imediatas no manejo, o BAC funciona como um direcionador de longo prazo, contribuindo para uma evolução gradual da propriedade, tanto em aspectos técnicos quanto na forma de observar o rebanho. Para Jacopini, o processo de implantação foi simples e contou com forte apoio da equipe técnica do programa.

“Não vimos dificuldade nenhuma em implantar o projeto, muito pelo contrário, eu tive muito apoio do pessoal todo, uma assessoria mesmo de longe e também de perto com os técnicos do programa na fazenda fazendo a classificação, ensinando a gente a olhar os animais, não tive dificuldade, muito pelo contrário teve muita participação dos técnicos auxiliando a gente nesse processo”, conta.

Essa proximidade com os profissionais do Carne Angus, também impactou diretamente na capacitação da equipe da fazenda e na forma como os animais passaram a ser avaliados no dia a dia. “Depois que nós começamos a ‘brincagem’ dos bezerros tudo mudou, o olhar da fazenda, o olhar dos nossos campeiros, com o aporte técnico da Angus nos visitando, eles foram treinando nossos olhos, hoje todo mundo está com o olho treinado para um animal Angus, claro que tem que ter uma inspeção melhor porque nossa avaliação não é como dos técnicos, mas hoje a gente consegue identificar se um bezerro é padrão ou não”.

Ela ainda complementa explicando que, o processo de certificar, agregou bastante valor nos bezerros, no conhecimento da fazenda, e que estão sempre buscando melhorar a qualidade de seus animais. Com isso, além da valorização comercial, o programa passa a atuar como uma ferramenta de aprendizado contínuo dentro da propriedade. A partir dos resultados obtidos, o produtor pode ajustar gradualmente a genética do rebanho, buscando maior padronização e desempenho.

Em um cenário de crescente exigência por qualidade, programas como o Bezerro Angus Certificado tendem a ganhar ainda mais relevância.  Ao organizar a produção desde a base e garantir, ainda na origem, o padrão racial dos animais dentro dos critérios do Programa Carne Angus Certificada, o modelo agrega valor ao rebanho e aumenta a confiança da indústria na padronização da matéria-prima. Nesse contexto, o diferencial deixa de estar apenas na identificação da origem e passa a se concentrar na entrega de animais já qualificados, o que se reflete diretamente em maior valorização e retorno econômico para o produtor.

Fonte: Associação Brasileira de Angus

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