Agropecuária tem alta de 11,7% e puxa PIB do Brasil em 2025
Sob impacto da safra recorde de grãos, a agropecuária fechou o acumulado de 2025 com crescimento de 11,7% no Brasil, apontam dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados nesta terça (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A variação é a maior desde 2023 (16,3%).
Pelo lado da oferta, o PIB abrange ainda os serviços, que avançaram 1,8%, e a indústria, que cresceu 1,4%. Os dois setores mostraram as menores taxas desde as quedas registradas em 2020, na pandemia (-3,7% e -3%).
Em termos gerais, o PIB fechou 2025 com alta acumulada de 2,3%. Também foi a menor taxa desde a contração em 2020 (-3,3%).
Com os resultados, a agropecuária puxou o crescimento do PIB em 2025. O impulso da produção agrícola fica mais concentrado no indicador no início do ano, quando há colheita de grãos como soja, carro-chefe das lavouras no país.
Além da influência da safra, a recuperação do emprego e da renda também serviu de incentivo para a economia, ajudando o consumo de bens industriais e serviços.
O PIB, contudo, mostrou sinais de desaceleração ao longo do ano com o cenário de juros elevados.
O BC (Banco Central) iniciou em setembro de 2024 um ciclo de aumento na taxa básica de juros, levando a Selic para 15% ao ano. A taxa está nesse patamar desde junho de 2025.
A medida busca conter a inflação. A alta da taxa de juros encarece o crédito e tende a esfriar a demanda por bens e serviços. Assim, espera-se que a pressão sobre os preços também diminua ao longo do tempo.
Dentro da indústria, o destaque veio da indústria extrativa, que cresceu 8,6% em 2025. Houve impacto do avanço da extração de petróleo e gás.
Com o resultado, o ramo sustentou a alta da indústria como um todo (1,4%). O IBGE indicou que a indústria extrativa é menos afetada pelos juros altos do que ramos como a transformação.
A indústria de transformação registrou variação negativa em 2025 (-0,2%), assim como o segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos (-0,4%). Já a indústria de construção desacelerou a 0,5%, avanço inferior ao de 2024 (4,4%).
Os serviços formam o principal setor do PIB pela ótica da oferta. Respondem por quase 70% do indicador e abrangem uma ampla variedade de negócios.
A lista inclui empresas de comércio, transporte, bares, restaurantes, atividades financeiras e educação.
Fonte: Jornal do Comércio

