Produtores de Bagé pressionam por decreto de emergência após prejuízo de R$ 70 milhões

A estiagem prolongada e as altas temperaturas no Rio Grande do Sul têm gerado impactos significativos no setor agropecuário, com perdas estimadas em 40% nas lavouras e prejuízos que podem ultrapassar R$ 70 milhões na economia de Bagé. Diante desse cenário, os agricultores do município estão pleiteando, junto ao Poder Executivo, pela publicação de um decreto de situação de emergência, que possibilite o acesso a medidas de auxílio e renegociação de dívidas.

A situação foi discutida nesta terça-feira (11) em uma reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, que contou com a participação de diversas entidades do setor. O gerente regional da Emater em Bagé, Rodolfo Perske, destacou que há forte indicativo de que o decreto será publicado. “Temos a convicção, pelas informações que temos, de que o decreto será publicado em função das perdas que hoje existem. Os colegas vão se debruçar, pelos próximos dias, elaborando o relatório, e atingindo um número expressivo de perdas, certamente o município vai ter subsídios para fazer a elaboração do decreto”, afirmou.

De acordo com Perske, a Emater está realizando, nesta quarta, visitas a campo e a propriedades rurais, e contatando produtores. Na quinta, pontua, “vamos sistematizar as informações para gerar o relatório”. Apesar da chuva que alcançou Bagé ainda na terça – e previsão de precipitações também para os próximos dias, o diretor não crê que o cenário vá se alterar a ponto de suspender a necessidade de um decreto. “Teremos mais detalhes para ver os impactos da estiagem e os reflexos da chuva”, adiantou.

Segundo o presidente da Associação de Agricultores da Região da Campanha (Agricampanha), André Bordin, a chuva pode amenizar futuros efeitos, mas não invalida os prejuízos que já atingiram os produtores. “As variedades mais precoces, em lavouras que foram plantadas no meio de outubro e início de novembro, para essas o prejuízo já está instalado. A chuva é sempre bem vinda, mas ela vai ajudar a não aumentar o prejuízo. Ele já existe e vai se confirmar na produtividade, na hora da colheita”, explica.

Além das perdas financeiras, há também uma preocupação com o abastecimento de água nas propriedades rurais. O titular da Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano (Seinfra) e membro do Sindicato Rural de Bagé, Edegar Franco, ressaltou a necessidade de medidas emergenciais. “Assim a gente pode viabilizar aos produtores rurais uma condição de, quem sabe, buscar, através do decreto de emergência, a renegociação de dívidas, as benesses que haveria com o decreto. Também nos preocupa muito a condição de abastecimento de água para pequenos produtores, visto que o Departamento de Águas e Esgoto de Bagé vem recebendo essa demanda e que é uma pauta teoricamente nova para muitos do setor urbano”, explicou.

Para Franco, o decreto também abre portas para a obtenção de novos auxílios. “O decreto nos possibilitará buscar outros auxílios para que a gente possa chegar a essas pequenas propriedades, e grandes também, com a água para que nós tenhamos uma condição de sobrevivência no campo“, acrescentou.

A preocupação dos agricultores é evidente. Gabriel Zago, diretor da Agricampanha, destaca que a estiagem coloca em risco o futuro da atividade agropecuária na região. “Isso é preocupante porque já temos uma média baixa de produtividade aqui na cidade, na região de Bagé, e com a produção percebida, isso se não tivermos mais problemas em relação ao clima, já é o suficiente para o produtor não ter renda suficiente para saldar as contas”, alertou.

O apoio político também tem sido mobilizado. A presidente da Câmara de Vereadores de Bagé, Andréa Gallina (PP), anunciou que está protocolando uma moção de apoio ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, em defesa dos produtores atingidos pela estiagem. “E também me coloco à disposição lá na Câmara de Vereadores para o que precisar em nossa comunidade, tanto o campo como a cidade”, declarou.

Fonte: Jornal do Comércio

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