
Maioria dos projetos de irrigação é da região noroeste do RS
A estiagem que atinge as lavouras no Rio Grande do Sul tem causado prejuízos aos produtores, com perdas que podem chegar a 50% ou mais, conforme relatos de entidades e agricultores ouvidos pela reportagem. Uma das alternativas para o problema é a irrigação. Nesse contexto, o governo estadual está com edital aberto para a segunda fase do Programa de Irrigação, contemplado no plano Supera Estiagem, que oferece até 20% de auxílio, com limite de R$ 100 mil, para os produtores que implantarem o sistema em suas propriedades. O prazo para inscrições vai até o dia 30 de abril, e a maioria dos projetos recebidos até o momento vem da região noroeste, com cerca de 34%. Essa também é uma das áreas mais afetadas pela seca.
“O grande diferencial é que nesta etapa o programa está disponível para todos os produtores, sejam pequenos, médios ou grandes”, afirmou o coordenador do Programa, Paulo Lipp. O processo funciona da seguinte maneira: o agricultor deve enviar o projeto à secretaria, que avalia sua viabilidade técnica. Após a aprovação, o produtor recebe a autorização para realizar a irrigação com a garantia da subvenção de até R$ 100 mil ou 20% do valor do projeto. De acordo com Paulo, o governo sinaliza que novas etapas ocorrerão ao longo do ano. A expectativa é que, em quatro anos, o Estado consiga ampliar a área irrigada em 100 mil hectares. “Atualmente, estamos em torno de 10 mil hectares, mas o ideal é alcançar 25 mil por ano”, destacou.
Até o momento, foram recebidos quase 700 projetos, totalizando R$ 160 milhões em investimentos privados, o que pode resultar na ampliação da área irrigada nesses 10 mil hectares no Estado. Após a região noroeste, a área que mais enviou propostas foi o Planalto Médio, com 27% do total. A Campanha ocupa a terceira posição, com 17%. Além disso, a maioria dos pedidos é para irrigar lavouras de grãos (52%), seguidos por pastagens para pecuária leiteira e de corte (17%) e fruticultura (16%). “Temos projetos que variam de R$ 5 mil a R$ 3 milhões, com áreas que vão de menos de 1 hectare até 200 hectares”, refletiu o coordenador. Santo Antônio das Missões é o município que tem a maior área contemplada pelos projetos: foram nove, somando 500 hectares. Em seguida, estão São Borja, com 13 projetos que abrangem 480 hectares, e Bagé, com 8 projetos que somam 448 hectares. Na primeira fase, as subvenções eram
Os projetos podem abranger diferentes tipos de sistemas de irrigação, como aspersão (pivôs, carretéis, simples), localizada (gotejamento/microaspersão), sulcos (várzeas para milho e soja) e reservatórios de água para irrigação. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), o Rio Grande do Sul possui cerca de 1,4 milhão de hectares irrigados, com destaque para o sistema de inundação, utilizado principalmente para o cultivo de arroz e soja.
Ainda conforme o MIDR, o RS produz cerca de 70% do arroz nacional. Além disso, o Estado ocupa a terceira posição na produção de soja no Brasil e lidera a produção de trigo. No total, o governo estadual anunciou um investimento de R$ 213,2 milhões para subsidiar projetos de irrigação, com expectativa de aportes privados na ordem de R$ 2 bilhões.
Uma empresa de irrigação de médio porte ouvida pela reportagem explicou que o valor de um sistema depende da área irrigada, do tipo de energia utilizada (elétrica ou a diesel, com motobomba) e da distância entre a plantação e a área que será irrigada. Quanto maior a distância, maior o custo. Da mesma forma, o uso de motobombas também encarece o projeto. “O que percebemos é que, muitos produtores preferem contratar por fora, pois relatam que o programa demora”, contou o gerente comercial da empresa, que preferiu não se identificar.
Na mesma empresa, que atende áreas de 5 a 20 hectares, os valores podem variar entre R$ 50 mil e R$ 90 mil. O coordenador do Programa de Irrigação explicou que, entre a entrega do projeto e a aprovação, o processo leva, em média, 30 dias, mas pode demorar um pouco mais. “Cada caso é único, há irrigação que depende de açude, de rio”, detalhou Paulo. Ele também confirmou que, no primeiro semestre, houve maior tempo de espera devido à exigência de apresentação de outorga ambiental ou dispensa no momento da entrega do projeto. “Agora, esses documentos são exigidos apenas para o momento de pagamento da subvenção”, concluiu.
Fonte: Jornal do Comércio