
As Estâncias ainda vivem
Por: Márcio Jardim Matos
4 Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece. 5 E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, de onde nasceu. 6 O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento e volta fazendo os seus circuitos. (Eclesiastes 1:4-6)
Durante séculos a fora a base da nossa economia encontra na agropecuária sua força motriz, moldando o jeito de ser, a cultura e os costumes do nosso povo gaúcho. A história muitas vezes é contada e muito bem retratada nas alamedas das cidades que guardam os registros na sua arquitetura, museus, leis e registros.
Porém, longe do barulho dos motores, sob a paz dos pássaros e da gadaria, encontram-se verdadeiros baluartes da história viva do nosso povo. São estâncias que além dos hectares de terra trazem consigo o respeito e a memória de gerações sucessivas que honram o chão onde pisam gerando riqueza, sustento e identidade.
Muitas vezes esquecidas pela distância de um fundo de corredor, trazem consigo verdadeiros tesouros arquitetônicos, com fachadas, capelas de devoção, galpões antigos, pisos de chão batido, quinchas de santa fé, telhas de barro e marcas do passado misturados ao presente com ares de modernidade. Alheias aos olhos populares, seguem à risca seu destino de resistência, sem ao menos ter a necessidade de um decreto que a proteja, pois como diria o poeta Caetano: “Mas o eterno não morre, porque permaneço vivo… / No lampejo primitivo de cada fato que ocorre”.
Mas, acima de tudo, são as pessoas o maior tesouro dessas estâncias. São elas que mantêm vivas as tradições, respeitando cada pedra assentada no pátio das casas, frutos do trabalho de gerações passadas. Afinal, como já sentenciou o texto sagrado: “Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece”.