Se mantiver recursos, Plano Safra será escasso

A expectativa é grande para o anúncio do Plano Safra 2021/2022, ainda mais que, neste ano, as discussões sobre o tema, que costumam ocorrer a partir de fevereiro, atrasaram. O resultado disto é que, a menos de 30 dias da vigência do novo ciclo, em 1 de julho, ainda não se tem informações a respeito do volume de crédito que será oferecido ao produtor para a próxima safra.

O atraso ocorreu devido às negociações do Projeto de Lei Nacional (PLN) nº 4. O motivo é que o PL recompõe, em R$ 3,68 bilhões, o orçamento para crédito do agronegócio do ano anterior. A matéria foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro na sexta-feira passada.

“Precisamos deixar claro que o Plano Safra foi prejudicado pelo calendário do orçamento, que deveria ter sido feito em dezembro. Não vamos ter nem um mês para discutir, e um plano construído a toque de caixa prejudica o produtor”, afirma o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz.

A perspectiva é de que o recurso destinado na próxima temporada seja de um valor próximo ao do Plano Safra 2020/21, quando foram destinados R$ 236,3 bilhões em crédito – estimativa que traz certa preocupação aos produtores.

Segundo o economista da Farsul, o montante disponibilizado no ciclo anterior “não foi suficiente”. “O agro cresce mais rápido que a nossa economia, que está fraca, e os recursos crescem conforme a economia”, pontuou.

Da Luz explica que a insuficiência do crédito disponibilizado aos produtores agrícolas se dá principalmente em razão da alta nos custos para a produção, que cresceram muito ao longo do último ano na medida em que o real foi se desvalorizando em relação ao dólar, e da alta na taxa de juros. 

A recomendação da Farsul é que o produtor busque, na medida do possível, priorizar investimentos com recursos próprios em vez de tomar crédito.

“O problema é que o produtor vai atrás de crédito justamente quando não tem recursos próprios disponíveis”, rebate o deputado federal gaúcho Alceu Moreira (MDB), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária da Câmara Federal.

Ele diz que “o plano não ter sido aprovado ainda não impediu a realização de debate no Ministério da Agricultura”, e ressalta a importância do Plano Safra principalmente para o pequeno e médio produtor. O deputado gaúcho afirma que ainda é tentado, em Brasília, aumentar a disponibilidade de recursos.

Agricultura familiar espera 40% a mais de recursos

Carlos Joel também pede novo enquadramento junto ao PronafCarlos Joel quer reenquadramento do agricultor familiar no Pronaf
MARCELO G. RIBEIRO/JC

Na mesma linha de pensamento, também a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) vê a necessidade de mais recursos. O presidente Carlos Joel da Silva acredita que o novo Plano Safra “virá com 40% de recursos a mais”.

No ciclo anterior, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, os pequenos produtores rurais tiveram à disposição R$ 33 bilhões via financiamento pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Para os médios produtores rurais, foram destinados
R$ 33,1 bilhões, por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).

Caso esse aumento não ocorra, de acordo com Joel, “o produtor vai ficar com dificuldade: ou vai plantar buscando insumo em cooperativa, que é mais caro, ou vai acabar fazendo financiamento fora do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que também é mais caro – então perde todo mundo”.

Uma demanda destacada por Joel que seria bem-vinda diz respeito ao enquadramento de pequeno e médio agricultor junto ao Pronaf. Com a elevação no preço dos insumos, o custo de produção por hectare também está mais alto: “a renda máxima para se enquadrar é de até
R$ 415 mil, montante suficiente para produzir erca de 40 mil hectares. Contudo, hoje, a agricultura familiar pode produzir até 80 mil hectares – estamos usando metade da área”, afirmou o presidente da Fetag.

Fonte: Jornal do Comércio

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