De Santana do Livramento, Juliano Gomes toca em Porto Alegre nesta quinta-feira

Cantor e compositor é um dos renovadores da música regional

Com um dos trabalhos mais inovadores da música regional gaúcha, o cantor e compositor Juliano Gomes toca nesta quinta-feira, às 22h30min, no Boteco Tchê. É uma oportunidade para os porto-alegrenses conhecerem melhor o trabalho autoral do músico de Santana do Livramento, que mescla a tradição campeira com o refinamento da MPB.

Gomes apresenta na Capital show com repertório do seu segundo disco, Proscrito, lançado no ano passado. O músico, que canta e toca guitarrón, estará acompanhado pelo violonista Quinto Oliveira, diretor musical do álbum, e pelo acordeonista Fabiano Torres. O álbum foi gravado no estúdio Flor y Truco, em Glorinha .

– Eu tinha um home studio, então comecei a gravar em casa. O Quinto me estimulou a gravar valendo em Glorinha. Só que depois disso o disco demorou cinco anos para se aprontar. Cada vez que estava perto de terminar, surgia uma música nova, aí a gente incluía, trocava. Ou então o Quinto me ligava: “Tchê, chegaram umas cordas novas aqui, tu precisa ouvir! Vamos gravar os violões de novo!”. E a gente ia lá e regravava tudo – conta Gomes.

Compositor com presença constante em festivais, é autor de canções conhecidas no meio regional, como Pra Bailar de Cola Atada (parceria com Anomar Danúbio Vieira) e Eu Sou Bagual (com Fernando Soares). Em seu primeiro disco, Sensitivo (2008), convidou intérpretes para cantar suas canções. Foi só com Proscrito que resolveu assumir a faceta de cantor.

– Os amigos me estimularam a cantar minhas músicas, então comecei a compor pensando na minha voz. Não tenho uma voz com impostação, como é comum nos festivais. Me inspiro em compositores que também cantam, como Ivan Lins, Toquinho, João Bosco, Dori Caymmi, Caetano Veloso e Chico Buarque – explica Gomes.

Além do canto menos impostado, os registros instrumentais do disco também são poucos comuns na música regional, contando com delicados arranjos de violinos e sopros, além de violões, baixos, gaitas e teclados. As letras são dos parceiros Guilherme Collares, Evair Suarez Gomez, Adriano Silva Alves e Sergio Carvalho Pereira.

No final de julho, Juliano Gomes foi um dos protagonistas de uma polêmica nas redes sociais, após ganhar o segundo lugar na Coxilha Nativista de Cruz Alta, com a faixa Quatro Sinuelos. Composta em parceria com Evair Suarez Gomez, Marcio Maciel Da Silva e Marcelo Duarte, a música foi chamada de “aberração” e de “fascista” por ouvintes que consideravam a letra uma homenagem velada a Jair Bolsonaro. A canção trata de quatro bois, Justiça, Capitão, Paciência e Companheiro. Para muitos, Justiça fazia alusão a Sergio Moro e Capitão, ao atual presidente.

Gomes assegura que a faixa não foi criada tendo política em mente:

– Não somos bolsonaristas nem lulistas. Estávamos falando sobre bois em uma tropa. Nada mais. As pessoas estão obcecadas por política, colocam isso na frente de tudo.

Juliano Gomes

Nesta quinta-feira, às 22h30min.
Boteco Tchê (R. José do Patrocínio, 885).
Ingressos na hora a R$ 25. Reservas pelo telefone 51 98646-4850.

Fonte: Gaucha ZH

Foto: Filipe Miorim / Divulgação

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