Alerta para mais chuva deixa Fronteira Oeste e Campanha sob risco de novos danos

A situação na Fronteira Oeste e na Campanha gaúcha, já bastante crítica devido às chuvas que atingem a região desde a segunda semana de janeiro, pode piorar ainda mais nesta quinta-feira (17). A previsão indica a possibilidade de mais 100 mm de precipitação entre este quinta e sexta-feira (18), deixando a região novamente em alerta.  Se confirmados, os novos volumes vão causar ainda mais estragos na região, avisa o sub-chefe da Defesa Civil do Rio Grande do Sul tenente-coronel Rodrigo Dutra.

Ao todo, já são 7.984 pessoas atingidas, sendo 1.493 desabrigadas, 4.533 desalojadas e outras 1.958 pessoas afetadas indiretamente nos 22 municípios com registros de danos, de acordo com o órgão estadual. O número de decretos de situação de emergência subiu para 16. Duas pessoas morreram. Os municípios que já decretaram situação de emergência são: Alegrete, Bagé, Barra do Quaraí, Barracão, Dom Pedrito, Jaguari, Lavras do sul, Manuel Viana, Pedro Osório, Quaraí, Rosário do Sul, São Borja, São Gabriel, São Francisco de Assis, Uruguaiana e Caçapava do Sul. Dentre esses, o número de pessoas atingidas soma 7.633, de acordo com boletim da Defesa Civil divulgado no fim da manhã desta quinta. “A tendência era de estabilidade na região, mas com a possibilidade de mais chuva, podemos ter novamente elevação na parte mais alta do bacia do Rio Uruguai.

À medida que a água vai descendo, ela vai sendo levada para outro lugar, e assim atingindo outras regiões”, explica Dutra.  A cidade mais afetada segue sendo Alegrete, onde 2.478 pessoas estão fora de casa. O nível do Rio Ibirapuitã está em 13,01 metros, 3 metros acima da cota de inundação. Já o Rio Uruguai, que afeta diretamente a cidade de Uruguaiana, está alguns centímetros acima do nível de inundação, medindo 8,78 metros. “Toda a chuva que passa pelas cidades da parte baixa da bacia tem o mesmo destino, que é o Rio Uruguai. Em dois ou três dias, a água acumulada atinge a cidade de Uruguaiana”, diz Dutra.

Na quarta-feira (16), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta para acumulados entre 50 e 100 mm de chuva, além de rajadas de vento entre 60 e 90 Km/h e possibilidade de queda de granizo em regiões isoladas do Estado. Com isso, segue o risco para novos alagamentos na Fronteira Oeste e na Campanha. A enchente também causa prejuízos na agricultura e na pecuária. O plantio de arroz deve amargurar perdas significativas. Segundo levantamento da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), a previsão de área colhida deverá ser abaixo de 990 mil hectares do grão. A produção gaúcha do cereal é responsável por 70% do que é colhido no País.

O acumulado da chuva modificou a paisagem da região. Grande parte das cidades afetadas ficaram submersas, trazendo prejuízos generalizados. “Os relatos de observação indicam que o atual evento de chuva é o maior dos últimos 50 anos em algumas cidades”, diz Dutra. Os dados, no entanto, ainda não são científicos, e se baseiam nos relatos de moradoras das regiões afetadas, destaca o sub-chefe da Defesa Civil.  Ainda não é possível prever novas ondas de chuva para a próxima semana, mas a meteorologia estima que todo o mês de janeiro deve ser bastante chuvoso no Rio Grande do Sul. Como ajudar as vítimas das cheias Uma Central de Doações montada no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), na avenida Borges de Medeiros, 1.501, em Porto Alegre, está recebendo doações de segunda a domingo, das 8h30min às 18h. Podem ser levados alimentos não perecíveis, água potável, roupas, material de dormitório, colchões, produtos de limpeza e higiene pessoal.

Fonte: Jornal do Comércio

Foto: Defesa Civil/RS

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