MTG elege novo presidente e conselheiros no Rio Grande do Sul

O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) realiza neste fim de semana a eleição para presidente e conselho diretor da entidade. As plenárias e votações do Congresso Tradicionalista ocorrem em São Borja, com atividades que abrem, nesta sexta-feira (11). Dois candidatos disputam o cargo executivo, sendo que a eleição de 2019 tem a primeira mulher na briga pela presidência em cinco décadas de existência.

O MTG foi criado em 1967, conforme registro no site da entidade. Os candidatos são o atual presidente Nairo Callegaro e a professora Elenir Dill Winck.  O Rio Grande do Sul soma 1.720 Centros de Tradição Gaúcha (CTGs), que estão habilitados a votar, com direito a dois votos. Já os piquetes, que são entidades parciais, e as entidades estudantis têm direito a um voto cada. As entidades têm de fazer a inscrição para participar até o meio-dia deste sábado (12). 

Na tarde de sábado, ocorre a instalação da Assembleia Geral Eletiva para a escolha do Conselho Diretor (titulares, membros suplentes e remanescentes), com o começo da votação. O novo conselho elege o presidente para um mandato de um ano, com posse neste domingo (13). Também o órgão define o local do próximo congresso.

Confira as ideias de cada candidato

Elenir Dill Winck

Professora aposentada, é a primeira mulher a concorrer à presidência do MTG. Elenir prega uma gestão em que as mulheres saiam das funções de retaguarda para dirigir, ao lado dos homens, um movimento que levou do Rio Grande do Sul para outros lugares do Brasil e até Exterior a cultura do gaúcho. Com um discurso de “diálogo e conversa” diante de qualquer manifestação machista, Elenir pretende, se for eleita, colocar em marcha um trabalho de equipe e que dê espaço e mais luz às entidades tradicionalistas, que totalizam 1,7 mil no Estado.

A ideia é dar mais atenção e o lugar de destaque que, na visão da candidata, o movimento de base merece. Embora seja pioneira na disputa, a professora já esteve na vice-presidência do Conselho de Cultura do MTG. Sobre a responsabilidade como mulher de assumir a presidência, caso seja confirmada na votação, Elenir lembra que as mulheres sempre tiveram seu papel na história do Rio Grande do Sul. “Enquanto os homens saíam para o trabalho ou até mesmo para as guerras, quem ficava tomando conta da estância, da família, dos afazeres era a mulher. Só que não com muito destaque”, observa.

Elenir avalia que as integrantes femininas do MTG faziam até agora o trabalho de retaguarda, “mas a participação delas na sociedade vem crescendo e no MTG também”. “Temos várias patroas das entidades, coordenadoras e conselheiras. Justamente pelo trabalho que venho realizando, resolvi lançar meu nome com uma grande equipe formada não só por mulheres, porque entendo que devemos sempre trabalhar juntos.”

Entre as propostas para a largada do mandato, caso seja eleita, estão a criação de um departamento de ouvidoria, a implantação de um programa de acessibilidade e inclusão para pessoas com deficiência, a valorização da cultura no Estado e o estreitamento das relações do MTG com todos os níveis de ensino, priorizando não só a educação de crianças, mas também a valorização de trabalhos acadêmicos. Confira entrevista que Elenir deu ao Jornal do Comércio como primeira mulher a disputar a presidência.  

Nairo Callegaro

Engenheiro Civil por formação e atual presidente do MTG. A família foi a grande influenciadora da entrada de Callegaro no tradicionalismo. Natural de Santo Ângelo, desde jovem participa de CTGs. Um dos feitos que  mais orgulha Callegaro foi a associação do Colégio Champagnat, da rede Marista, no MTG, “como forma de aproximar a sociedade da cultura”.

A valorização cultural é um ponto defendido pelo candidato dentro do movimento, que diz ser diferenciada. O candidato à reeleição defende a preservação de obras de autores como Paixão Côrtes e Barbosa Lessa. “São obras grandes e servem para pesquisa, é dever do MTG guardar e não deixar o material ser distorcido, essa é uma das nossas responsabilidades”, ressalta. Callegaro diz que é importante não restringir o MTG a uma associação, embora o estatuto da entidade siga a de um clube, com CNPJ e alvarás.

Para ele, a instituição tem também uma configuração cultural e filosófica que acredita ser importante “levar para frente”. Além disso, Callegaro não pretende limitar o MTG a eventos e diz que a imagem de “clube” pode criar uma competição comprometendo a razão do movimento. Callegaro tem como uma das principais propostas de sua candidatura a descentralização do MTG. “Atualmente, as pessoas se desgastam muito e gastam muito indo até os congressos”.

Por isso, ele propõe eleições regionalizadas, o que poderia ampliar o número de votos. “A votação por regiões traria uma representatividade maior, além das entidades poderem investir o dinheiro que gastariam viajando com o próprio CTG”, aponta. Ele também quer um MTG que “defenda nossos valores, mas sem ficar interiorizando o movimento”. Diante da adversária, primeira mulher a buscar a presidência, Callegaro afirma que é preciso avaliar propostas e não o gênero dos concorrentes.

“Para mim é normal, como se fosse um homem. O mundo caminha para mulheres ocuparem cargos, isso é indiferente.” Caso ganhe a eleição, o engenheiro pretende tirar “o gaúcho apenas do imaginário. “Sempre tentamos fazer diálogo com a sociedade, sem ver apenas o gaúcho pilchado como um ser de outro mundo, mas alguém que faz parte do tradicionalismo.”

Fonte: Jornal do Comércio

Foto: MONTAGEM/ MARCO QUINTANA / LÍVIA ROSSA

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